A palavra ídolo perdeu parte do sentido, já que qualquer pessoa pode ganhar reconhecimento por meio das redes sociais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 21:44 A Fama Redefinida: Influenciadores Dominam a Era Digital Nos dias atuais, a fama se transformou com o advento das redes sociais, tornando-se acessível a qualquer pessoa. Celebridades tradicionais dividem espaço com influenciadores digitais que acumulam milhões de seguidores, como Virginia, amplamente desconhecida fora do ambiente virtual. Esse fenômeno reflete uma era de despersonalização, onde ídolos são criados e consumidos em nichos específicos, perdendo o sentido universal que antes possuíam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Eu sei que é ridículo se gabar de não conhecer uma pessoa idolatrada por um quarto da população brasileira. Quem eu penso que sou para dizer que até duas semanas atrás não tinha ideia de quem era Virginia, com seus mais de 50 milhões de seguidores? O fato é que não sabia mesmo. Sinal de que ainda respiro fora das redes. Não é um caso isolado. Desconheço um monte de gente que a maioria conhece. Do plantel da Seleção, até dias atrás, sabia apenas quem eram Allison, Neymar e Vini Jr, cuja vida amorosa nunca tive conhecimento, como deu para perceber. O nome do técnico eu decorei e esqueci. Sou do tempo do Tite, do Felipão, do Dunga. Não que eu seja bairrista, é só uma coincidência todos eles serem do Rio Grande do Sul, minha terra. O atual técnico (Google, me ajuda... Ancelotti!) nem brasileiro é, o que acho estranho. Bairrismo, sério? Pode ser. Outro dia estava em um elevador e entraram dois caras. Poderiam ser Henrique & Juliano. Ou Zé Neto & Cristiano. Jamais saberei (pesquisei os nomes no Google, de novo, já que estou por fora de quem são as estrelas sertanejas). Noveleira desde criança, sabia quem era quem, dos protagonistas aos estreantes. Já não assisto novela na tevê, mas vejo recortes de cenas no Instagram, e é atordoante: de 40 anos pra baixo, não sei o nome de ninguém. Mas claro que Tony Ramos e Antonio Fagundes não só eu reconheceria em um elevador, como cairia de joelhos, me levantaria e pediria uma selfie. Faça as contas de quantos ex-BBBs existem: se a média de participantes for 20 por edição, são cerca de 520 homens e mulheres a quem eu daria um protocolar “bom dia” no elevador, sem reconhecer o privilégio da companhia, a não ser que fosse a Sabrina, a Grazi, o Jean Wyllys ou o Marcelo Dourado — que não virou celebridade, só lembro do Dourado porque me treinou em uma academia em Porto Alegre, no início do século. O bairrismo, outra vez. Você pode nunca ter ouvido falar em Mari Krüger, Marianna Armellini e Juvi Chagas, para citar alguns nomes que sigo nas redes, e estaremos quites. Nossos ídolos deixaram de ser os mesmos faz um tempão. A palavra ídolo, aliás, perdeu o sentido, já que todos são “famosos” em seus próprios perfis nas redes, não importa se para milhões ou para meia dúzia. Por eu escrever livros e colunas, acontece, às vezes, de alguém me apresentar para outra pessoa dizendo “você sabe quem é ela, não sabe?” e a criatura, coitada, fica com cara de paisagem, claro. É a era da despersonalização, onde as pessoas viram produtos, cada qual com seu consumidor. A quem não faz a menor ideia de quem eu seja, minha total simpatia e solidariedade. Quando olho para o espelho do elevador, até eu mesma tenho me perguntado quem sou.