Há opções na TV aberta, streaming e YouTube 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Elenco do programa 'Aquele campeonato', do Porta dos Fundos — Foto: Divulgação Existe lugar onde as pelejas entre Cabo Verde e Arábia Saudita, RD Congo e Uzbequistão e Irã e Nova Zelândia podem virar clássicos: nos programas de humor que prometem fazer desta Copa do Mundo 2026 uma grande piada. A competição — que começou na quinta-feira passada com o maior números de seleções da história, 48 no total — já fervilha na pauta de alguns dos principais humoristas do país , com espaço nobre na programação da TV aberta, do YouTube e do streaming. — O humor fala do cotidiano, e o tema do futebol é um prato cheio, ainda mais nesse momento da Seleção Brasileira — diz o ator e roteirista Caíto Mainier, pouco animado com o escrete canarinho atual. —Como passaríamos do 7x1 sem humor? Teríamos acabado como nação. Desde este traumático ano de 2014, Caíto interpreta o “jornalista diplomado e audiodoutorando” Professor Cerginho (com C mesmo) da Pereira Nunes, que divide com Craque Daniel, empresário de atletas vivido por Daniel Furlan, o “Falha de cobertura”. O programa é um dos destaques da grade dos canais do PodPah e da TV Quase no YouTube durante o torneio, três vezes na semana, sempre depois dos principais jogos. Com passagens pelo globoesporte.com, revista Piauí e UOL em outras competições, eles mantêm a pegada de improviso, que não condiz com a realidade da preparação de Caíto, Daniel e equipe por trás do programa. Cerginho e Craque Daniel, do 'Falha de cobertura', agora no PodPah — Foto: Caslu/Divulgação —Nosso trabalho tem roteiro e depois interpretação desse roteiro para que tudo soe natural —diz Daniel Furlan. — Há sempre o esforço de parecer que ligaram uma câmera e os caras começaram a falar coisas da cabeça deles, como em muitos desses programas de mesa-redonda. A dupla garante que o público não é só de boleiros. Até quem não acompanha futebol gosta das piadas — e uma prova disso são os fãs (muitas mulheres, contrariando o senso comum de que o “Falha” é papo masculino) que aparecem nos eventos de lançamentos do novo livro “Guia da Copa Falha de cobertura” (Editora Record), já na segunda edição. Quem também aposta numa audiência ampla, interessada pelo inusitado das partidas e das torcidas, é a turma do Porta dos Fundos, que em 2026 faz seu primeiro programa sobre o tema, o “Aquele campeonato”. A exibição é ao vivo, sempre às segundas, quartas e sextas, ao meio-dia no YouTube. A mesa-redonda (sem mesa no estúdio, diga-se de passagem) é composta por Marcelo Adnet, Rafael Saraiva, Leandro Ramos e Valen Bandeira, acompanhados por Tino Marcos, ex-repórter da TV Globo. —O Tino é um cara alto astral, engraçado, que queria se desafiar com algo diferente — diz Daniel Belmonte, chefe de criação do Porta. — Tem um lado ator também, que nem ele conhecia. Com oito mundiais na bagagem como jornalista, Tino tem o desafio de falar de Copa sem falar a palavra... Copa. Isso porque a Fifa só permite que o nome do campeonato seja pronunciado nos veículos que tenham direitos oficiais de transmissão. Ciente da pedreira, o “Aquele campeonato” tem até um “juiz” que apita toda vez que alguém está prestes a cometer a falta de emitir o nome proibido. As proibições também passam pelo uso de imagens, e aí entra em campo o talento da turma. Elenco do 'Chama o VAR', do Sportv e Globoplay — Foto: Divulgação —Na hora dos melhores momentos, podemos ter um jogo de botão com narração do Galvão Bueno, numa imitação feita pelo Adnet. Ou até fantoches simulando gols — explica Belmonte. A Copa tem graça também na TV Globo, com Fabio Porchat parte da seleção do “Central da Copa”, no ar nos fins de noite, de segunda a sábado sob comando de Tadeu Schmidt. O comediante quer, por exemplo, explicar jogos com analogias de novelas (Brasil x Marrocos é a cara de “O Clone”, ele diz) ou zoar os torcedores conspiracionistas. —Com as redes sociais, muita piada já sai ali na hora, então preciso trazer outro olhar. Tenho, inclusive, um roteirista de comédia comigo para construirmos algo junto para as situações ficarem quente — diz Fabio. Pode isso? Se o futebol do presente é material para o show, o “das antigas” também tem seu mérito. É com esse arquivo que o “Chama o VAR” trabalha. A série de quatro episódios, exibida no SporTV e disponível no Globoplay, tem Antonio Tabet, Gabriel Godoy, George Sauma, João Pimenta e Letícia Lima interpretando os tipos mais comuns das mesas-redondas, imbuídos de analisar lances polêmicos do torneio quando não existia o “Video assistant referee” (Árbitro assistente de vídeo, na sigla em inglês). Qual o desfecho das competições se um gol de Zico não tivesse sido anulado em 1978, ou se o voleio de Maradona, em 1986, fosse invalidado? — Fazemos uma paródia irreverente desses programas, sempre com figuras bastante estereotipadas, como o apresentador da velha guarda que precisa se reciclar — diz Tabet, sobre seu personagem, Pacheco Leão. — Ou uma ex-árbitra, a Fernanda Bandeira (vivida por Letícia), que precisa lidar com a desconfiança e o machismo, ou o comentarista jovem (Gustavo Noronha (vivido por George Sauma), muito ligado a estatísticas, que esquece que futebol nem sempre é só isso. (Colaborou Leonardo Ribeiro)