[RESUMO] A distribuição desigual de alunos por escolas é um espelho da desigualdade geral do país: os mais pobres, com piores notas, filhos de pais em geral com baixa escolaridade, ficam concentrados nas de pior qualidade. Pesquisas internacionais apontam que o Brasil é altamente segregado no campo educacional, e especialistas descrevem como essa prática, a longo prazo, desestimula alunos e professores, piora o aprendizado dos mais desfavorecidos e amplia o fosso que os separa dos mais ricos e escolarizados.
Carandiru. A escola, dedicada à educação de crianças e adolescentes a partir dos 11 anos, era conhecida assim, pelo apelido que evocava os horrores do sistema prisional.
O economista Leandro Anazawa ouviu o nome pela primeira vez em um horário de aula, quando a algazarra dos alunos nos corredores havia diminuído, durante uma visita a instituições de ensino em Sertãozinho, cidade de 150 mil habitantes no interior paulista.
Anazawa sabia que a Carandiru figurava entre as instituições de pior resultado nas provas aplicadas aos alunos do sistema público local, mas nem por isso deixou de se surpreender com a alcunha pejorativa, enunciada com naturalidade pela diretora de uma outra escola, com quem conversava.












