Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira (12) em queda, estendendo o forte recuo da véspera. O ambiente global novamente deu tração à renda fixa doméstica em meio à perspectiva de que os Estados Unidos e o Irã assinem um acordo nos próximos dias que encerre a guerra entre os dois países e reabra o Estreito de Ormuz, canal responsável por cerca de 20% do escoamento global de petróleo. A queda nesta sessão ficou concentrada nas taxas com vencimentos de médio a longo prazo. Os vértices mais curtos da curva a termo, por outro lado, encerraram com movimentos tímidos, já que os números do IPCA de maio contiveram um alívio mais significativo na perspectiva de inflação. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 subiu de 14,33%, do ajuste de ontem, para 14,36%; a do DI de janeiro de 2028 teve leve queda de 14,555% a 14,535%; a do DI de janeiro de 2029 recuou de 14,56% para 14,455%; e a do DI de janeiro de 2031 mostrou forte baixa de 14,46% a 14,33%. A redução dos prêmios de risco beneficiou de forma relevante os juros futuros de médio a longo prazo neste pregão, que desde a sessão de ontem já acumulam um alívio ao redor de 50 pontos-base (ou 0,5 ponto percentual). A perspectiva de que a guerra entre Estados Unidos e Irã se encerre gerou no fim desta semana uma mudança relevante no risco precificado pelos investidores, e as taxas futuras foram bastante impactadas, dado o nível de estresse pelo qual o mercado de renda fixa passou nos primeiros pregões de junho, quando as taxas chegaram a tocar 15% pela primeira vez em mais de um ano. Outro desdobramento relevante para o mercado de juros com a possibilidade de acordo no Oriente Médio é o recuo dos preços do petróleo. O contrato mais líquido do Brent, referência global da commodity, saiu da casa de US$ 96 por barril no começo deste mês para fechar em US$ 86,71 hoje, gerando um alívio relevante para a perspectiva inflacionária global, com impacto relevante também no cenário doméstico. O resultado do IPCA de maio, porém, freou um eventual otimismo maior dos investidores e economistas de mercado quanto ao quadro local. A inflação brasileira teve alta de 0,58% ante abril, acima da expectativa de consenso de 0,54% dos economistas consultados pelo Valor Data. Além disso, a taxa anual ultrapassou o teto da meta do Banco Central ao registrar uma inflação de 4,72% em 12 meses. “Os dados divulgados hoje refletem uma inflação sob pressão. Olhando para o futuro, outro ponto a ser observado em relação à inflação é o conflito no Oriente Médio, já que os preços mais altos do petróleo podem repercutir na cadeia de produção por meio do aumento dos custos de frete”, alerta, em nota, o time de economistas do Bank of America (BofA), liderado por David Beker, chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do banco. O BofA projeta um IPCA de 5,5% em 2026 e de 4,0% em 2027. Para a política monetária, a expectativa é de apenas mais um corte da Selic de 0,25 ponto percentual, a 14,25%, “com a retomada dos cortes no segundo semestre de 2027, à medida que o Federal Reserve (Fed) flexibiliza os juros [nos EUA]”. Para Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, a surpresa de alta do mercado com o IPCA veio por conta, principalmente, dos preços de gasolina e bens industriais mais voláteis. No entanto, a parte de serviços da inflação veio um pouco melhor que o esperado, o que traz algum alívio. “Então, apesar de um número ‘cheio’ mais forte do que o esperado, a composição foi um pouco mais benigna por conta de serviços”, pondera. A AZ Quest espera que o IPCA termine este ano em 5,5%, e em 4,5% em 2027. “Para o BC, nossa avaliação é de que o cenário da inflação segue bastante adverso, o panorama geral piorou bem nas últimas leituras, mas ele deve continuar cortando em 0,25 ponto na próxima reunião [do Copom] e deixar em aberto para as próximas reuniões”, disse Barbosa em comentário enviado ao Valor. — Foto: River He/Pexels
Juros futuros recuam com expectativa por acordo entre EUA e Irã
A queda na sessão desta sexta (12) ficou concentrada nas taxas com vencimentos de médio a longo prazo
Taxas futuras caem com perspectiva de acordo EUA-Irã e reabertura do Estreito de Ormuz; Brent recua de $96 para $86,71/barril. Financiamento mais barato apoia capex empresarial, mas inflação de 4,72% ao ano acima da meta do BC limita margens operacionais.






