Os juros futuros recuam em ritmo forte nesta sexta-feira, movimento impulsionado pela expectativa do mercado por um acordo entre Estados Unidos e Irã que dê fim à guerra entre os dois países. Ainda que de forma menos intensa, a queda de hoje das taxas estende a forte reprecificação observada na véspera e coloca de vez a possibilidade de continuação do ciclo de cortes da Selic de volta à mesa pela perspectiva do mercado. Vale ressaltar que o bom desempenho do mercado de renda fixa ocorre mesmo diante de um IPCA de maio que superou as previsões do mercado, reforçando o quadro de inflação pressionada em meio aos efeitos da alta dos preços do petróleo sobre a economia doméstica. Por volta de 13h40, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 cedia de 14,33%, do ajuste de ontem, para 14,305%; a do DI de janeiro de 2028 recuava de 14,555% a 14,45%; a do DI de janeiro de 2029 baixava de 14,56% para 14,435%; e a do DI de janeiro de 2031 caía de 14,46% a 14,35%. Na maior parte das primeiras horas do pregão de hoje, os juros futuros oscilaram próximos dos ajustes, alternando entre queda e alta leves ao longo de toda a extensão da curva a termo. A dinâmica se alterou drasticamente após Abbas Araghchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, afirmar que um acordo do país com os EUA “nunca esteve tão perto”. Mais tarde, o premiê do Paquistão reiterou a notícia ao dizer que o texto final do memorando firmado entre Washington e Teerã foi finalizado. Com isso, fortalece-se a perspectiva de fim da guerra no Oriente Médio e a consequente reabertura do Estreito de Ormuz, canal responsável por cerca de 20% do escoamento global de petróleo. Os contratos mais líquidos da commodity recuam perto de 4% no mercado futuro, aliviando o quadro inflacionário global. Nesse sentido, os resultados do IPCA de maio perderam protagonismo no desempenho dos mercados nesta sexta-feira. A inflação brasileira mostrou alta de 0,58% ante abril, acima da expectativa de consenso de 0,54% dos economistas consultados pelo Valor Data. Além disso, a taxa anual ultrapassou o teto da meta do Banco Central ao registrar uma inflação de 4,72% em 12 meses. “Os dados divulgados hoje refletem uma inflação sob pressão. Olhando para o futuro, outro ponto a ser observado em relação à inflação é o conflito no Oriente Médio, já que os preços mais altos do petróleo podem repercutir na cadeia de produção por meio do aumento dos custos de frete”, alertam, em nota, o time de economistas do Bank of America (BofA), liderado pelo chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do banco, David Beker. O BofA projeta um IPCA de 5,5% em 2026 e de 4,0% em 2027. Para a política monetária, a expectativa é de apenas mais um corte da Selic de 0,25 ponto percentual, a 14,25%, “com a retomada dos cortes no segundo semestre de 2027, à medida que o Federal Reserve (Fed) flexibiliza os juros [nos EUA]”.
Juros futuros estendem queda da véspera com expectativa por acordo EUA-Irã
Juros futuros estendem queda da véspera com expectativa por acordo EUA-Irã








