Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores utilizados pela facção para ocultar o patrimônio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Equipamento bélico usado pelos criminosos — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 17:06 Polícia Civil Desmantela Esquema de Extorsão do TCP no Rio de Janeiro A Polícia Civil desmantelou um braço do Terceiro Comando Puro (TCP) que expulsava moradores do Morro de São Carlos, no Rio, forçando a venda de imóveis por valores ínfimos. A facção usava ameaças e extorsões para dominar a área, contando com a orientação de advogados para legalizar posses. A Justiça bloqueou R$ 60 milhões e sequestrou bens, enquanto investigações apontam a ligação do TCP a esquemas de lavagem de dinheiro e venda de armas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Civil identificou um braço do Terceiro Comando Puro (TCP) que atuava para expulsar moradores do entorno do Morro de São Carlos, no Estácio, e ampliar o domínio territorial da facção. Segundo as investigações, o grupo recorria a extorsões sistemáticas, ameaças e intimidação armada contra comerciantes e moradores para forçá-los a vender imóveis por valores abaixo do mercado. Em um áudio obtido pelos investigadores, uma advogada orienta integrantes da quadrilha sobre os obstáculos para regularizar a posse de um imóvel que pertencia a um morador alvo do esquema. "Já tem um processo gravado no imóvel, que é de execução da prefeitura, então a gente não pode entrar direto com a posse sua, porque já está configurada no nome dele. A gente não pode entrar diretamente com um processo de posse em seu nome, porque já existem documentos em nome dele", afirma a advogada na gravação. [...] "Teria que colocar uma sucessão dele, obviamente, porque todas as pessoas, inclusive, o conhecem. Além disso, o tabelião iria ao local para fazer essas confirmações. Esse é o risco." De acordo com a polícia, a pressão exercida pelo tráfico local fazia com que muitos moradores abandonassem seus imóveis. Nesses casos, os criminosos tentavam elaborar documentos para dar aparência de legalidade à ocupação, alegando que os imóveis lhes pertenciam ou que estavam na posse deles havia muitos anos. Segundo as investigações, o esquema funcionava em cinco etapas. A primeira era a intimidação armada, por meio de extorsões, ameaças e presença ostensiva de criminosos armados contra comerciantes e moradores. Em seguida, após a criação de um ambiente de medo, vinha a coação sistemática dos proprietários. A terceira etapa consistia na venda forçada ou no abandono dos imóveis. Depois, os criminosos utilizavam empresas com aparência de legalidade para adquirir os bens em nome da organização. Por fim, realizavam a lavagem de dinheiro por meio dessas empresas. Durante a ação desta sexta-feira, três pessoas foram presas em flagrante por crime de receptação. Entenda a operação Pelo menos 21 pessoas físicas e jurídicas estão sendo investigadas por suspeita de envolvimento no esquema. Os agentes cumpriram 43 mandados de busca e apreensão nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Também foi determinado pela Justiça o bloqueio de R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores usados pelo bando para ocultar seu patrimônio. Segundo investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE), o esquema era comandado por chefes do tráfico do TCP. Quatro deles foram identificados como Leonardo Miranda da Silva, o Léo Empada; Marcílio Cheru de Oliveira, o Menor Cheru; Rafael Carlos da Silva Ferreira, o Parazão; e Anderson Rosa Mendonça, o Coelho. Este último se encontra preso à disposição da Justiça por conta de outros crimes. Agentes da Polícia Civil durante operação no Morro de São Carlos — Foto: Reprodução Segundo a polícia, Parazão é da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Foragido da Justiça daquele estado, ele recebeu apoio do TCP para ficar escondido em comunidades controladas pela facção. Rafael também é suspeito de comandar o tráfico no Morro da Mineira, além de coordenar a venda de armas entre o Rio e Minas. Além de Parazão, que é procurado pela Justiça, também estão com as prisões decretadas e são considerados foragidos os traficantes Léo Empada e Menor Cheru. Léo Empada é considerado foragido da Justiça — Foto: Reprodução As investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) revelaram que a quadrilha não se limita ao tráfico de drogas e ao controle armado do São Carlos. O grupo criminoso implantou um sistema de exploração econômica direcionado contra quem vive próximo ao morro, impondo um ambiente de medo a comerciantes e moradores por meio de ameaças, extorsões e constrangimentos. As apurações da Draco/IE apontam que as vítimas eram forçadas a abandonar seus imóveis para que eles fossem transferidos para pessoas ligadas ao tráfico. Esses bens eram usados para ampliar o patrimônio dos bandidos e fortalecer a influência do TCP no São Carlos. — Eles coagiam moradores da região periférica do Morro de São Carlos para que deixassem seus imóveis. Percebemos, durante a investigação, que os alvos eram moradores e comerciantes. O que apuramos é que indivíduos ligados ao tráfico exigiam o pagamento de taxas de comerciantes para que pudessem permanecer nos respectivos locais. Alguns moradores eram forçados a abandonar imóveis ou obrigados a vendê-los por preços muito abaixo do mercado. Depois, os bandidos ocupavam esses imóveis e forjavam documentos para caracterizar a posse. Algumas das residências eram destinadas a pessoas ligadas aos traficantes; outras eram alugadas; e algumas transformadas em imóveis comerciais explorados pelo tráfico — disse o delegado Jefferson Ferreira, titular da Draco/IE. Segundo o delegado, esse tipo de avanço de facções criminosas e também de milícias para áreas no entorno das regiões dominadas por elas já é observado em outras áreas do Rio. As investigações revelaram que empresas de fachada são usadas para ocultar e movimentar os recursos ilegais da facção. A estrutura de lavagem de dinheiro está diretamente ligada à cúpula do TCP e funciona como mecanismo para fortalecer o grupo criminoso e sua expansão patrimonial. — Temos atentado para o avanço das facções criminosas. Estamos combatendo essas expansões— disse o delegado. As investigações revelaram que empresas de fachada são usadas para ocultar e movimentar os recursos ilegais da facção. A estrutura de lavagem de dinheiro está diretamente ligada à cúpula do TCP e funciona como mecanismo para fortalecer o grupo criminoso e sua expansão patrimonial. As provas reunidas pela Draco apontam a atuação dos principais chefes do TCP no esquema. Esses criminosos são responsáveis pela articulação logística com bandidos de Minas Gerais, pela coordenação territorial e pela estrutura patrimonial e financeira utilizada para a ocultação e reinserção do dinheiro do crime na economia formal. Além do esquema de lavagem de dinheiro, a investigação identificou uma estrutura destinada à venda de armas, responsável pelo abastecimento de comunidades dominadas pelo TCP. As investigações demonstram que integrantes da organização, além de atuarem como operadores financeiros e gestores patrimoniais, também exerciam funções relacionadas à negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos. Venda de armas Além do esquema de lavagem de dinheiro, a investigação identificou uma estrutura destinada à venda de armas, responsável pelo abastecimento de comunidades dominadas pelo TCP. As investigações demonstram que integrantes da organização, além de atuarem como operadores financeiros e gestores patrimoniais, também exerciam funções relacionadas à negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos. Durante a operação, os policiais apreenderam drogas, celulares, computadores, dinheiro e um veículo de luxo. O material foi levado para a sede da Draco, na Cidade da Polícia, no Jacaré.