Portugal tem uma grave crise no SNS. Tem listas de espera cirúrgicas que chegam a dois anos. Tem uma crise de habitação que expulsou uma geração inteira das cidades. Tem salários que não chegam ao fim do mês. Tem os serviços públicos do país por um fio e uma crise do custo de vida sem precedentes. E tem ainda diversas comunidades minoritárias constantemente perseguidas e ostracizadas.Perante este quadro, a direita portuguesa, detentora de uma maioria parlamentar, reuniu-se, deliberou e chegou a uma conclusão: o problema urgente da república é a bandeira arco-íris na fachada da câmara municipal.Descansem, portugueses. Os vossos representantes estão no trabalho.O Presidente da República, António José Seguro, teve a sensatez de vetar o diploma, e fê-lo com argumentos que qualquer democrata, de esquerda ou de direita, consegue subscrever: a lei usa conceitos que ninguém sabe definir, não distingue causas humanitárias com assento constitucional de propaganda eleitoral, e produziria uma confusão jurídica de tal ordem que os tribunais administrativos ainda estariam a resolver os processos na próxima legislatura. Bom sinal quando o chefe de Estado lê aquilo que chega à sua secretária.A reacção dos autores do diploma foi, como seria de esperar, à altura do diploma.
Deixem as bandeiras em paz
Depois de confirmada a lei, o que muda na vida de alguém? Alguém arranja emprego? Alguém recebe uma consulta mais depressa? Alguém consegue pagar a renda no fim do mês?










