Existe uma crença bastante consolidada quando falamos de desenvolvimento econômico em territórios vulneráveis: a de que ampliar o acesso ao crédito é, por si só, suficiente para gerar renda, fortalecer pequenos negócios e movimentar economias locais. A intenção é correta, mas o problema está na premissa.
Na prática, capital raramente produz transformação quando chega a territórios que ainda não possuem estrutura mínima para absorvê-lo de forma produtiva. Talvez esse seja um dos erros mais silenciosos e recorrentes das iniciativas de desenvolvimento econômico.
Atuando com impacto social e inclusão produtiva, uma constatação se tornou evidente para mim: o principal gargalo para o crescimento de uma economia local não está apenas na falta de dinheiro, mas na ausência de organização econômica.
Não basta disponibilizar recursos se ainda não existem capacidades para transformá-los em produtividade, geração de renda e crescimento sustentável.
Quando falamos de território, falamos de pessoas, cultura, infraestrutura, redes locais, acesso a mercados e, principalmente, da capacidade de uma comunidade organizar sua própria atividade econômica. Em muitos desses contextos, especialmente onde o emprego formal é limitado, o empreendedorismo surge não como um projeto de vida, mas como um mecanismo de sobrevivência e mobilidade econômica.










