O primeiro capítulo do pior ciclo de Copa daquela que, um dia, foi a maior e mais respeitada seleção do planeta começou em Rabat em 2023 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Zagueiro Gabriel Magalhães puxa a fila no treino da seleção nos EUA — Foto: Rafael Ribeiro / CBF RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 22:01 Brasil Busca Retomar Prestígio na Copa sob Comando de Ancelotti O Brasil enfrenta um momento crucial na Copa do Mundo após anos conturbados e uma estreia difícil contra a equipe que os eliminou anteriormente. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a seleção busca recuperar o prestígio perdido após a derrota para Marrocos em 2023, que marcou o início de um ciclo desafiador. Jogadores como Vini Jr. e Casemiro têm a chance de reafirmar a grandeza da equipe, mostrando que o Brasil ainda é um gigante adormecido. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ironias do destino, o Brasil terá a oportunidade, amanhã, de fazer um acerto de contas que pode representar muito para a moral de vários jogadores de um grupo que chegou aos EUA, merecidamente, de forma discreta. Com apenas um ano para tentar arrumar um time aos frangalhos depois de quase três conturbados anos, talvez nenhuma outra grande seleção nessa Copa precisasse de uma estreia mais tranquila do que o Brasil, mas nem a sorte esteve ao lado de Carlo Ancelotti na hora do sorteio da fase de grupos. O italiano já sabia que teria pela frente um dos rivais mais difíceis, senão o mais difícil que qualquer cabeça de chave poderia enfrentar. E, para piorar, na estreia. O técnico da Espanha, por exemplo, já falou claramente que pode poupar vários titulares, inclusive a grande estrela Lamine Yamal, na estreia contra o fraco Cabo Verde. Não duvido que a Argentina, cheia de jogadores cansados e lesionados, também pegue leve na estreia contra a Argélia. Portugal pega a RD Congo; Alemanha, Curaçao. Já Ancelotti pega a grande surpresa da última Copa, o time que eliminou Portugal e Espanha antes de perder para a França na semifinal, e que venceu o Brasil em uma noite que, para eles, foi memorável. E para nós, quase humilhante. Foram dias estranhos aqueles que vivi de perto em Rabat, em março de 2023, acompanhando a seleção antes da derrota por 2 a 1 para o time da casa. Quando aquele amistoso foi anunciado, lembro muito bem as conversas com colegas jornalistas que também cobrem a seleção, todos meio sem entender muito bem por que a CBF tinha se metido naquela que parecia uma tremenda roubada. Tite tinha deixado o comando, e o Brasil não tinha técnico. Cruzar o Atlântico com o treinador da seleção olímpica para ser o arroz da festa do Marrocos, no que seria o primeiro jogo deles na frente da torcida depois da campanha histórica no Catar, era algo meio surreal. E tinha a tensão adicional do então presidente Ednaldo Rodrigues estar disposto a tentar persuadir Ancelotti a deixar o Real Madrid para assumir a seleção. Eu, inclusive, não fui ao Marrocos para cobrir o jogo. Minha única intenção, como repórter da Reuters, era convencer Ednaldo a falar sobre isso pela primeira vez diante de uma câmera. E consegui a exclusiva que caiu como uma bomba na Europa. Era o presidente da Confederação Brasileira de Futebol reconhecendo pública e abertamente que queria um treinador estrangeiro que tinha contrato vigente com o maior clube do mundo... Era o começo de uma novela que primeiro parecia impossível, foi ridicularizada e, dois longos anos depois, acabou se concretizando, mas às custas de um abandono da seleção brasileira que pode ter consequências na busca pelo hexa nos EUA. E o primeiro capítulo do que foi o pior ciclo de Copa daquela que, um dia, foi a maior e mais respeitada seleção do planeta começou lá em Rabat. Foi uma noite mágica para o time da casa e para os torcedores locais, porque coincidiu com o fim do mês sagrado do Ramadã, o chamado na fé muçulmana de Eid al-Fitr, quando os fiéis terminam o período de jejum e penitência com júbilo. A partida foi posta num horário acorde com a celebração. Foi lindo de ver como observador, mas estava na cara que era uma cilada a que o Brasil foi irresponsavelmente exposto. Graças a derrotas como aquela, a seleção foi perdendo uma das coisas mais difíceis de recuperar no futebol: a hierarquia. Aquele respeito, receio que os rivais sempre tiveram quando viam do outro lado a mística camisa amarela. Vini Jr., Casemiro, Paquetá e Ibañez estavam em campo naquela derrota e, amanhã, terão a oportunidade de recuperar, dentro de campo, essa hierarquia, esse respeito. E mostrar que nada disso está perdido, que o Brasil é apenas um gigante adormecido.