Japão, Coreia do Sul e outras grandes economias asiáticas foram duramente atingidas pela interrupção das importações de nafta causada pela guerra de Estados Unidos e Israel contra Irã e Líbano, mas a China resistiu à crise graças às suas redes de suprimentos diversificadas, ampliando sua liderança. "O recente bloqueio do Estreito de Ormuz emergiu como uma grande crise que expõe as vulnerabilidades estruturais da indústria petroquímica asiática", disse Baek Jong-hoon, presidente interino da Associação da Indústria Química da Coreia e executivo-chefe (CEO) da Kumho Petrochemical, em um evento do setor em Fukuoka, Japão, no mês passado. O fechamento de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% das exportações globais de petróleo bruto, atingiu a Ásia com mais força. Mais de 80% do petróleo bruto que passa por esse ponto de estrangulamento marítimo tem como destino os mercados asiáticos, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos. Muitos países asiáticos, incluindo o Japão e a Coreia do Sul, dependem fortemente da importação de nafta, produzida no refino do petróleo bruto, para a fabricação de produtos químicos para plásticos, tintas e outros. O Japão reduziu a produção em fábricas de etileno que utilizam nafta, enquanto algumas fábricas na Coreia do Sul e no Vietnã foram fechadas. Todos esses países estão tentando manter suas cadeias de suprimentos adquirindo nafta de fora do Oriente Médio. Mas a China, que possui a maior capacidade de produção química do mundo, está sentindo menos o impacto. Suas fontes de petróleo bruto são menos concentradas no Oriente Médio e incluem a Rússia. As empresas químicas chinesas também utilizam outras matérias-primas além da nafta, incluindo etano derivado de gás natural e carvão. A China pode continuar a fornecer produtos químicos mesmo que o fornecimento de nafta do Oriente Médio seja interrompido. Os preços da nafta proveniente de fora do Oriente Médio, que em determinado momento dobraram em comparação com o período anterior ao conflito, recuaram um pouco, mas permanecem cerca de 30% mais altos. Se essa situação se prolongar, os produtos químicos chineses, que já possuem uma vantagem de preço, poderão dominar o mercado. "A competitividade da indústria petroquímica asiática, incluindo a japonesa, irá diminuir ainda mais", afirmou um executivo sênior de uma grande empresa química japonesa. A indústria petroquímica asiática sofre há tempos com o excesso de importações baratas da China. Baek disse que a atual crise no Oriente Médio representa um duplo golpe para o setor, que já vinha enfrentando dificuldades devido à queda na lucratividade. A Coreia do Sul, que possui capacidade produtiva superior à do Japão, está promovendo a consolidação de fábricas de etileno sob a liderança do governo. Na Tailândia, a estatal petrolífera PTT e o Siam Cement Group, maior fabricante de materiais do país, anunciaram em abril que irão estudar a possibilidade de fusão de seus negócios de produtos químicos básicos e plásticos de uso geral. "Mesmo antes da recente crise, o setor já vinha se direcionando para uma capacidade mais enxuta, maiores taxas de utilização e maior ênfase em produtos especiais e de alto valor agregado", disse Toasaporn Boonyapipat, presidente de uma associação da indústria petroquímica tailandesa. "Hoje, essa transição está ocorrendo de forma mais rápida e urgente." Em resposta à crise causada pelo conflito no Oriente Médio, o governo japonês liderou a iniciativa Powerr Asia, uma proposta para colaborar com países asiáticos nas cadeias de suprimento de recursos. "Em uma era definida pela incerteza geopolítica, excesso de capacidade e a urgência de ações climáticas, a colaboração deixou de ser uma opção e se tornou essencial", afirmou Tsao Mihn, presidente de uma associação industrial de Taiwan e presidente da Formosa Petrochemical. "Somente trabalhando juntos podemos transformar esses desafios em oportunidades." As empresas químicas japonesas se reestruturaram para adequar sua capacidade à demanda interna em declínio. Mas Koshiro Kudo, presidente da Associação da Indústria Petroquímica do Japão e presidente da Asahi Kasei, disse que "com a possibilidade de mudanças inesperadas, também é necessário ter uma margem de segurança e responder com flexibilidade". Kudo defende uma estrutura na qual as economias asiáticas que enfrentam desafios semelhantes se complementem. "Mesmo explorar a diversificação de riscos por meio de intercâmbios com a Coreia do Sul, geograficamente próxima, seria muito significativo", disse Kudo.