Os gargalos marítimos globais e seus riscos para o agro brasileiroProblemas no Estreito de Ormuz nos lembram que o comércio mundial depende de um número reduzido de gargalos geográficos. Crédito: edição: Ariel LiborioGerando resumoA passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi significativamente dificultada pelo ciclo persistente de hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. Mas a alta ou queda dos preços da gasolina dependerá não apenas do volume de petróleo que sai do Golfo Pérsico, mas também das decisões tomadas pela China.Normalmente o maior importador de petróleo do mundo, a China reduziu drasticamente as compras nesta primavera (do Hemistério Norte), diminuindo a demanda a tal ponto que impediu que os preços do petróleo subissem ainda mais no início da guerra.Quando a China voltará a comprar mais petróleo? (na foto, Hong Kong) Foto: Peter Parks/AFPPUBLICIDADEAgora, uma das maiores questões que o mercado enfrenta é: quando a China voltará a comprar mais petróleo? Quanto mais tempo o país demorar a comprar, mais baixos os preços do petróleo provavelmente ficarão. O inverso também é verdadeiro. Um aumento na demanda da China elevaria os preços, tudo o mais constante.“Para onde se direciona a demanda chinesa é realmente a peça mais importante do quebra-cabeça”, disse Karen Young, pesquisadora sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.Qual é a influência da guerra Rússia x Ucrânia nos preços?Outro fator significativo é a guerra entre Rússia e Ucrânia. Os preços do diesel no atacado dispararam na semana passada, depois que a Rússia, um dos maiores exportadores mundiais, proibiu as vendas de diesel para o exterior a fim de preservar os estoques internos. Os ataques de drones ucranianos danificaram gravemente as refinarias de petróleo russas, limitando a capacidade do país de transformar petróleo em combustível para transporte.PublicidadeOs preços dos combustíveis no atacado geralmente antecipam mudanças nos preços para o consumidor nos postos de gasolina, onde o diesel atingiu uma média de US$ 4,88 por galão na segunda-feira, um aumento de 2,5% em relação à semana anterior, de acordo com o clube automotivo AAA.Aumento de importações aparece no radarHá indícios de que as importações de petróleo da China podem aumentar em breve. A Agência Internacional de Energia citou recentemente os esforços de aquisição e as entregas pontuais de petroleiros como sinais de um “interesse renovado da China em compras”.Para a maior parte do mercado, permanece um mistério como a China conseguiu reduzir as importações em quase um terço em comparação com o ano anterior, segundo dados alfandegários de maio divulgados por Pequim. PublicidadeAcredita-se que a China possua a maior reserva de petróleo do mundo, mas aparentemente não utilizou grande quantidade das reservas acima do solo que os analistas podem monitorar via satélite. Embora suas refinarias tenham processado menos petróleo do que o normal durante a guerra — e o país tenha proibido as exportações de derivados de petróleo logo no início —, isso também não explica completamente a enorme queda nas importações.Como a China atenua a dependência de petróleo?O país dispõe de outras ferramentas, incluindo vastos recursos de carvão que podem ser utilizados em vez de derivados de petróleo para a produção de produtos químicos. Ao mesmo tempo, a China obtém grande parte de sua eletricidade de fontes renováveis e é o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Sua extensa rede ferroviária de alta velocidade, a maior do mundo, também reduz a demanda por petróleo.PublicidadePUBLICIDADEA Agência Internacional de Energia afirmou que este ano provavelmente será a primeira vez que o consumo de petróleo da China cairá significativamente desde as crises do petróleo das décadas de 1970 e 1980.Independentemente da rapidez com que a demanda se recupere na China, as vastas reservas de petróleo do país lhe conferem uma margem de segurança significativa. Muitos acreditam que a China pode continuar a adiar o aumento das importações por algum tempo.“Eles não estão sob nenhuma pressão imediata”, disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Atlantic Council, um think tank com sede em Washington.PublicidadeUma das maiores surpresas da guerraA capacidade da China de gerir o mercado, aumentando ou diminuindo as compras de petróleo, tem sido uma das maiores surpresas da guerra, disseram os analistas.Esse poder sobre o mercado global é particularmente notável, visto que o país importa a maior parte do seu petróleo. Durante décadas, os produtores tradicionalmente detiveram o controle sobre os preços do petróleo. Repetidamente, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o cartel do petróleo, alavancaram sua significativa participação de mercado para fazer os preços dispararem, como aconteceu na década de 1970, ou para permitir que despencassem, como ocorreu em 2014.Mas a influência da Opep foi corroída nos últimos anos, primeiro pelo rápido crescimento da produção de petróleo dos EUA e, nesta primavera, pela saída de um dos maiores membros do cartel, os Emirados Árabes Unidos.“A China exerce efetivamente mais poder de mercado do que qualquer outra nação na Terra, incluindo a Arábia Saudita e os Estados Unidos”, disse Gregory Brew, analista do Eurasia Group, uma empresa de pesquisa.Naturalmente, a intensidade do conflito no Golfo Pérsico — e a medida em que ele afasta os armadores — continua sendo de importância crucial para os mercados de energia.PublicidadeNesta segunda-feira, 13, o presidente Trump disse que estava reimpondo um bloqueio naval aos portos do Irã, uma medida destinada a impedir que grande parte do petróleo do país chegasse ao mercado global.Ele também deixou claro que os Estados Unidos não planejam ceder o controle do estreito ao Irã.Leia tambémPetróleo dispara após retomada de ataques entre EUA e Irã e bloqueio do estreito de OrmuzA incerteza continua: voltou o pesadelo de novo fechamento de Ormuz - e, com ele, suas consequênciasTrump: ‘EUA serão conhecidos como guardião de Ormuz’ e cobrarão taxa de 20% para proteger navios“Os EUA serão, a partir de agora, conhecidos como ‘O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ’”, publicou ele nas redes sociais, acrescentando que os Estados Unidos buscarão o reembolso por seus serviços a uma taxa de 20% de “toda a carga enviada”.PublicidadeA possibilidade de cobrar dos armadores pela passagem segura pelo estreito foi um dos principais pontos de discórdia durante toda a guerra, e não estava claro qual seria a autoridade dos Estados Unidos para cobrar tais taxas.Desde o início de maio, as forças armadas dos EUA têm ajudado navios a navegar pelo estreito em rotas próximas a Omã. Centenas de milhões de barris de petróleo bruto foram transportados nessa operação até o final de junho, segundo o Comando Central dos EUA.“Isso tem sido eficaz até agora e pode continuar sendo”, disse Richard Goldberg, ex-conselheiro sênior do Conselho Nacional de Domínio Energético de Trump. “Estamos em um momento decisivo para vermos como isso vai se desenrolar.”PublicidadePor ora, entre a energia que ainda flui do Golfo Pérsico, o aumento da produção em outros países e a menor demanda de países como a China, o mundo, em geral, tem o petróleo de que precisa. Isso se reflete nos preços, que estão cerca de 7% acima dos níveis pré-guerra.Mas carros e caminhões funcionam com gasolina e diesel, não com petróleo bruto. E, devido à infraestrutura danificada no Golfo e na Rússia, as refinarias estão processando muito menos petróleo do que o normal. Isso explica, em parte, por que abastecer continua mais caro do que antes da guerra. /Com Ivan Nechepurenko e Murphy Zhao c.2024 The New York Times CompanyPublicidade
O próximo passo da China pode determinar se os preços do petróleo vão disparar
Durante décadas, a Opep influenciou o mercado pela quantidade de petróleo que produzia, mas a China, a maior importadora, está demonstrando seu notável poder sobre os preços













