O vice-presidente do Banco do Japão, Shinichi Uchida, realizará uma entrevista coletiva muito aguardada na próxima semana, já que o presidente do banco central japonês, Kazuo Ueda, estará ausente da próxima reunião de política monetária. No encontro, deverá ser decidido um aumento nas taxas de juros, levando os custos de empréstimo a níveis nunca vistos em três décadas. O Banco do Japão informou na quarta-feira que Ueda ficará hospitalizado por cerca de duas semanas para tratar um cisto hepático infectado. A próxima reunião de política monetária do Banco do Japão, com duração de dois dias, está prevista para começar na segunda-feira (15). Durante sua hospitalização, Ueda exercerá suas funções remotamente, de acordo com o Banco do Japão. O presidente do banco central deverá participar da reunião de política monetária seguinte, nos dias 30 e 31 de julho. "Não será um evento importante como uma mudança de presidente do Banco do Japão", disse uma fonte do governo, refutando especulações. O Banco do Japão deverá elevar a taxa básica de juros de 0,75% para 1% na próxima reunião. Medidas para reduzir gradualmente as compras de títulos do governo também estarão na pauta. Não haverá mudanças nessa direção da política monetária, segundo diversas fontes. Ueda não terá direito a voto nas propostas da reunião enquanto estiver hospitalizado, mas expressará sua opinião por escrito. A ausência de Ueda deixará a definição da política monetária a cargo dos oito membros restantes do conselho. Em caso de empate de quatro a quatro, o vice-presidente Ryozo Himino, que atuará como presidente interino, terá o voto de desempate. Uchida conduzirá a entrevista coletiva pós-reunião no lugar de Ueda. Uchida, que ingressou no banco central em 1986, esteve envolvido na implementação e expansão da política monetária ultra-acomodatícia do ex-presidente Haruhiko Kuroda. Uchida "é uma figura-chave na formulação de políticas", afirmou um alto funcionário do Banco do Japão. Uchida estava hospitalizado desde novembro para tratamento de leucemia, participando remotamente das reuniões de política monetária. Ele recebeu alta em 26 de maio. A entrevista coletiva será a primeira aparição pública de Uchida desde que deixou o hospital. "Ele liderou as discussões de forma eficaz, mesmo hospitalizado", disse um alto funcionário do Banco do Japão. Outras pessoas disseram que o envolvimento direto de Uchida após sua alta foi "tranquilizador". Os investidores acompanharão atentamente a entrevista coletiva de Uchida, já que sua voz tem tanto peso quanto a de Ueda. Uchida falou com jornalistas em fevereiro e agosto de 2024, desempenhando um papel importante na correção das expectativas excessivas do mercado em relação aos aumentos das taxas de juros. Em seu discurso mais recente, em julho do ano passado, ele enfatizou a importância de uma "abordagem de gestão de riscos" que busque um equilíbrio entre os riscos de alta e de baixa para a atividade econômica e a inflação. Considerando a longa carreira de Uchida em planejamento, ele "não é alguém que adota uma postura firme, seja de política monetária restritiva ou branda, mas sim alguém que avalia realisticamente as políticas que o Banco do Japão deve adotar em um determinado momento", disse Mari Iwashita, estrategista executiva de taxas de juros da Nomura Securities. O foco da próxima entrevista coletiva de Uchida será o ritmo das futuras altas da taxa básica de juros. Um alto funcionário do Ministério das Finanças, que afirmou que a subida da taxa em junho "já está precificada no mercado cambial", acrescentou ainda que "o grau em que o próximo avanço da taxa for discutido influenciará a taxa de câmbio". Sinalizar uma forte cautela pode transmitir a mensagem de que o banco central será mais proativo no aperto da política monetária. Considerando a incerteza no Oriente Médio, "o ponto crucial a observar é o quanto Uchida comentará sobre o risco de aceleração da inflação", disse Iwashita. Durante uma reunião em dezembro, o banco central elevou a taxa de juros de 0,5% para 0,75%. As declarações de Ueda após a reunião foram interpretadas como cautela em relação a novos aumentos nas taxas de juros, o que levou à desvalorização do iene. A moeda japonesa está atualmente cotada em torno de 160 ienes por dólar, e o mercado está receoso de novas intervenções cambiais. O iene pode cair ainda mais se os comentários de Uchida forem percebidos novamente como excessivamente cautelosos.