O major-general Paulo Viegas Nunes, que lidera actualmente e presidiu entre 2022 e 2024 a empresa que gere a rede de comunicações de emergência do Estado, a SIRESP, SA, admitiu esta quinta-feira durante uma audição parlamentar que conhecia e já tinha trabalhado com o dono da empresa de consultadoria Euritex, que foi contratada por si de forma irregular para aquela empresa pública, segundo uma auditoria da Inspecção-Geral das Finanças. Mas negou qualquer favorecimento, sustentando a escolha do seu antigo colega de curso com a qualidade técnica do mesmo.“Ele e a empresa possuem certificação de segurança da NATO e da União Europeia. São chamados para vários projectos de cibersegurança. É dificílimo encontrar candidatos com este perfil”, afirmou Viegas Nunes, que sublinhou que nunca omitiu aos restantes membros do conselho de administração da empresa que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) que o percurso profissional de ambos se tinha cruzado no passado.“Não existe qualquer relação de parentesco entre nós. Mas voltei a trabalhar com ele num projecto NATO”, afirmou o recém-empossado presidente da SIRESP, SA, cuja escolha, no final do mês passado, levou à demissão do ex-secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro.Ouvido esta quinta-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais antes do major-general, António Pombeiro precisou as razões que justificaram a sua demissão e insistiu que não tem “nada de pessoal” contra Viegas Nunes.O ex-secretário-geral adjunto admitiu divergências de ordem técnica com o general e sustentou "que existe alguma beliscadura" na folha do actual presidente da SIRESP, SA."Como gestor público, a folha não deve encontrar-se minimamente beliscada, e aqui existe alguma beliscadura na folha do senhor general [Paulo Viegas Nunes] enquanto foi presidente da Siresp S.A.", afirmou António Pombeiro.