O Ministério da Administração Interna (MAI) rejeitou nesta segunda-feira ilegalidades na gestão da rede SIRESP durante a presidência de Paulo Viegas Nunes, avançando que “não existe qualquer impedimento” que ponha em causa a sua idoneidade para as funções.“A SIRESP S.A. foi alvo de uma auditoria visando o período de 2022-2024, resultando de uma denúncia apresentada por um ex-vogal”, começa por contextualizar o ministério em resposta enviada à Lusa, informando que as conclusões são públicas (Dezembro de 2024) e não apontaram ilegalidades”. E conclui: “As desconformidades de procedimentos identificadas foram integralmente corrigidas, conforme é referido no relatório.”O MAI reagia à demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, que alegou “graves irregularidades” na gestão da SIRESP SA durante a presidência do general do Exército Paulo Viegas Nunes, que regressa nesta segunda-feira à presidência da empresa que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).Num longo email, a que o PÚBLICO teve acesso, o secretário-geral adjunto justifica a sua “total indisponibilidade para continuar a exercer as actuais funções” com as essas “graves irregularidades ocorridas durante a administração do brigadeiro-general Viegas Nunes no SIRESP” e acrescenta que antes transmitiu essa informação ao governante sem que isso tenha suscitado “qualquer iniciativa no sentido de apurar a veracidade dos factos”.Oposição preocupadaEsta posição do Governo chega já depois de a oposição ter levantado dúvidas sobre esta demissão. Desde logo, o Chega e a Iniciativa Liberal que foram rápidos a anunciar a chamada do ministro da Administração Interna ao Parlamento, bem como do demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, o escolhido para reocupar a liderança do SIRESP.Citado pela Lusa, André Ventura sublinhou que esta não é uma demissão qualquer e acusou o Governo de “olharem para o lado” perante “uma série de irregularidades e de ilegalidades” denunciadas pelo até agora secretário-geral adjunto.Notando que “continuando a nomear os mesmos” é um “prémio à incompetência ou à corrupção”, o líder do Chega atirou: “Porque é que o Governo – que disse que queria reformular o SIRESP – nomeia exactamente o mesmo homem que, entre 2022 e 2024 esteve à frente da SIRESP S.A.?”Já a IL, falando em alegações “extremamente graves” da parte de António Pombeiro, que visam não apenas Paulo Viegas, mas também o actual ministro da tutela por ter sido informado e permitir que a nomeação acontecesse.“A IL não está com isto a fazer nenhuma acusação nem ao ministro da Administração Interna, nem ao general Paulo Viegas Nunes, está sim a dizer, perante a alegação destes factos, que a Assembleia da República tem que tomar conhecimento destes factos e tem que pedir o esclarecimento das circunstâncias”, disse Rui Rocha numa declaração enviada à comunicação social.Em sentido inverso, o secretário-geral socialista – que foi ministro da Administração Interna na primeira passagem do general pelo SIRESP – saiu em defesa de Paulo Viegas Nunes, falando num “servidor do Estado”.À margem de uma iniciativa no Porto, José Luís Carneiro sublinhou as missões que lhe deu quando lidou directamente com ele e que, sublinha o socialista, foram cumpridas. “Espero que não haja quem o queira prejudicar por ele ser um servidor do interesse público do Estado”, afirmou.O ministério tutelado por Luís Neves indicou, na última sexta-feira, o regresso de Paulo Viegas Nunes à liderança da empresa que gere a rede SIRESP, “numa fase estratégica de modernização e reforço da rede nacional de comunicações de emergência e segurança”.No início do mês, quando foram apresentadas as recomendações do grupo de trabalho criado pelo Governo para encontrar uma alternativa ao SIRESP, o ministro da Administração Interna anunciou um investimento de cerca de 36 milhões de euros na rede SIRESP para ser concretizado até ao final de 2027.Entre as medidas para reforçar a rede estão mais estações móveis, uma autonomia energética superior a 24 horas e distribuição de rádios SIRESP por todos os municípios e juntas de freguesia.Numa entrevista recente, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, revelou que no Verão já vão ser “em parte” visíveis as alterações na rede SIRESP, passando a existir mais equipamentos, retransmissores e canais próprios de comunicação.A rede de comunicações SIRESP tem sido marcada por várias polémicas desde que foi criada, tendo sofrido as maiores alterações após as falhas no combate aos incêndios de 2017, mas voltou a ter limitações no apagão de 2025 e na tempestade Kristin que afectou a região Centro no fim de Janeiro.
Ministério da Administração Interna rejeita ilegalidades na gestão da SIRESP e destaca competência do presidente
Ministério liderado por Luís Neves refere que “não existe qualquer impedimento” que coloque em causa a idoneidade de Paulo Viegas Nunes para regressar à presidência do SIRESP.













