De acordo com denúncia do portal "Metrópoles", Raveli teria favorecido o ICB a firmar contratos dentro da SPTuris depois que assumiu o cargo na empresa municipal de eventos. Polícia apura uso de verba da prefeitura de SP em ‘Dark Horse’ LEIA MAIS: Segundo a reportagem, Raveli era sócio da Complexys Soluções Integradas LTDA, que também foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Civil durante a Operação Sem Wi-Fi, na semana passada. O dono atual da Complexys é o empresário André Feldman, amigo de Karina. Eduardo Ferreira Franco, que é conselheiro do ICB, também foi sócio da mesma Complexys. A apuração aponta que já na SPTuris, Raveli pagou R$ 3,5 milhões em despesas de um evento da ONG comandada por Karina da Gama com verba pública da empresa municipal de turismo. Ele também foi fiscal de R$ 9 milhões em contratos com empresas de um de seus ex-sócios na Complexys, diz a reportagem. Em conversa com o g1 por telefone em 20 de maio, ela afirmou que desconhece as notas mencionadas nesta reportagem, "mas não tem controle se um fornecedor contratado anula uma nota. As notas fiscais do próprio instituto glosadas, fui eu mesma que apontei para a prefeitura os problemas, e eles estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. A dona da ONG informou, ainda, que o ICB e as três firmas que estão no nome dela funcionam no mesmo endereço para que possa “manter o controle sobre as empresas”. As notas fiscais canceladas apresentadas pela a ONG Instituto Conhecer Brasil à Prefeitura de São Paulo na prestação de contas. — Foto: Reprodução/PMSP Segundo o prefeito Ricardo Nunes, Rodrigo Raveli é funcionário da SPTuris desde 2005 e a estatal tem em torno de 220 contratos, mas ele era fiscal de apenas oito. “Ele está afastado das funções. Foi aberta uma apuração pela Controladoria e está sendo apurado pela controladora. (...) Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, não vou carregar nas minhas costas o peso de cometer alguma injustiça”, disse o prefeito do MDB. “Está aberta a apuração e também não vou carregar nas minhas costas nenhum peso de ser omisso e vou ser absolutamente rigoroso com qualquer tipo de desvio de conduta. A Controladoria vai me passar o resultado da apuração e vamos decidir o que vai ser feito. Nesse momento ele está afastado e está sendo feita uma apuração ampla”, declarou Nunes nesta terça-feira (9). O que disse o Instituto Conhecer Brasil após operação policial "O Instituto Conhecer Brasil informa que recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades competentes, colaborando de forma transparente, respeitosa e imediata com todos os procedimentos realizados. Desde o primeiro momento, a instituição colocou-se à disposição das autoridades para fornecer documentos, informações e quaisquer esclarecimentos que sejam considerados necessários para a completa apuração dos fatos. Vale ressaltar que a equipe jurídica do Instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação, os quais constituem instrumentos legítimos para o aprofundamento das análises técnicas e para o esclarecimento de questões de interesse público. Nesse sentido, está colaborando integralmente com todos os órgãos responsáveis, contribuindo para que os fatos sejam devidamente analisados e esclarecidos. Reafirmamos nossa convicção de que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição, bem como evidenciar a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados. O Instituto Conhecer Brasil permanece à disposição da Justiça, dos órgãos de controle e das autoridades competentes para prestar informações adicionais, apresentar documentação complementar e colaborar com todas as etapas das auditorias, perícias e demais procedimentos de verificação que venham a ser realizados. Confiamos que a ampla análise técnica e documental contribuirá para o completo esclarecimento dos fatos de interesse público, sempre observados o devido processo legal, a transparência e o compromisso com a verdade." Problemas na SPTuris Nunes anuncia demissão de secretário-adjunto e presidente da SPTuris após denúncias Eles também são investigados por conta de contrato de mais de R$ 239 milhões com uma empresa de nome MM Quarter, que tinha Rodolfo Marinho como sócio oculto, segundo o próprio prefeito. A MM Quarter pertence à empresária Nathália Carolina de Souza Silva, que foi sócia de Rodolfo Marinho numa empresa de consultoria política. Ela deixou a sociedade com o agora ex-secretário poucos dias antes de ele ser indicado para o cargo de secretário de Turismo da cidade. Após a nomeação de Marinho por Nunes, a empresa MM Quarter ganhou ao menos 24 contratos milionários com a SPTuris. Rodolfo Marinho da Silva, ex-secretário-adjunto do Turismo, e Gustavo Pires, agora ex-diretor presidente da SPTuris. — Foto: Reprodução Nesta terça-feira (9), Nunes lembrou que fez mudanças no comando do Turismo justamente para não encobrir mau uso do dinheiro público nesses órgãos. “Importante destacar que coloquei na presidência da SPTuris o Coronel Salles, da Polícia Militar, que é uma pessoa de muita confiança minha. E a dra Talita, que é da Controladoria Geral do Município, que está emprestado e atuando dentro da SPTuris e a gente não quer deixar nenhum tipo de dúvida sobre qualquer contrato”, declarou. “Obviamente com a matéria do Metrópoles, a gente agradece, porque é muito importante, a gente tomou algumas atitudes, e vai ser muito rápido e célere o processo de apuração”, disse o prefeito de SP. Qual é a situação do serviço de wi-fi gratuito na periferia da cidade de São Paulo?