Dezenas de manifestantes e policiais entraram em confronto nesta quinta-feira (11) nos arredores do estádio Azteca, na Cidade do México, em meio à partida de abertura da Copa do Mundo de futebol. Uma equipe da GloboNews presenciou o momento em que manifestantes exigindo justiça pelas pessoas desaparecidas no México removeram algumas barreiras que protegem o perímetro do estádio e trocaram agressões com os agentes que fazem a segurança, enquanto ocorre o jogo entre México e África do Sul. Horas antes do confronto, os manifestantes entoavam “México campeão em desaparecimentos”. Mas os ativistas consideravam impossível se aproximar do estádio, já que as forças de segurança mantinham a área fortemente protegida. Os números oficiais ajudam a explicar o slogan: o país tem mais de 130 mil pessoas desaparecidas. Cerca de mil familiares de desaparecidos, vindos de diferentes estados do país, caminhavam carregando velas, tochas e fotografias — às vezes entoando palavras de ordem, outras vezes em silêncio. “Só queremos que olhem para nós, que prestem atenção, que isso acabe, porque muitos jovens estão desaparecendo”, lamentou Adriana Lozano, que viajou da turística cidade de Los Cabos, no noroeste do México, e busca há nove anos o filho desaparecido no estado de Jalisco. Esse estado, localizado no oeste do país, tem como capital Guadalajara, uma das três cidades mexicanas que sediam esta Copa do Mundo. As famílias enfatizaram que não têm nada contra o Mundial, mas sim contra o esquecimento. Segundo elas, desde que a violência ligada aos cartéis explodiu, há cerca de 20 anos, o problema não para de crescer. Elas reivindicam mais recursos para as buscas, em vez de gastar milhões de dólares em um evento como a Copa do Mundo. “Queremos que os visitantes não levem apenas a experiência de desfrutar do futebol, mas também a experiência da solidariedade; que se somem às ações, tirem fotos e as compartilhem nas redes sociais”, explicou Jorge Verástegui, que procura seu irmão Antonio há 17 anos. As reivindicações dos coletivos de familiares têm sido constantes desde o início dos preparativos para o Mundial, mas ganharam ainda mais força depois que um comitê da ONU concluiu que o país está sobrecarregado pelo problema e deveria aceitar ajuda internacional para enfrentá-lo. O governo da presidente Claudia Sheinbaum desacreditou esse relatório. Protestos de parentes de desaparecidos no México, em meio à abertura da Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Seila Montes Nas últimas semanas, os rostos dos desaparecidos puderam ser vistos por toda parte: em manifestações, em cartazes de busca afixados em vias públicas de diferentes cidades mexicanas e também nas redes sociais, onde um axolote — o pequeno anfíbio ameaçado de extinção que foi desenhado por toda a cidade como símbolo não oficial da Copa — transformou-se em um “axolote buscador” graças à ação dos ativistas. Também surgiu um álbum virtual inspirado nos tradicionais álbuns de figurinhas da Copa, criado pelo coletivo Luz y Esperanza, de Jalisco. Em vez de colecionar jogadores de futebol, o álbum reúne os rostos sorridentes de homens e mulheres acompanhados de um nome, um local e uma data: as informações sobre onde e quando desapareceram. “O principal objetivo é que o mundo veja que a crise de impunidade continua”, afirmou Verástegui. “Mostrar essa outra face do México, que não é de festa, mas de tragédia.”
Polícia e manifestantes entram em confronto na abertura da Copa
Ativistas pelos mais de 130 mil desaparecidos no país tentam invadir perímetro do Estádio Azteca, onde México enfrenta África do Sul
Mil familiares de desaparecidos protestaram durante abertura da Copa do Mundo no México, exigindo visibilidade para 130 mil desaparecidos no país. A manifestação evidencia crise de impunidade mexicana e demanda recursos para buscas ao invés de investimento no evento.










