Os empresários detentores das tribunas no Estádio da Cidade do México (também conhecido como Azteca) ameaçam integrar as manifestações para boicotar o arranque do Mundial, após a FIFA ter incumprido com uma decisão judicial e ter-lhes proibido a entrada no recinto."Ficou muito claro como se negaram a cumprir uma ordem judicial, como o disseram de forma expressa e clara: 'Estamos sujeitos à lei da FIFA e não do México'. Esse é o motivo principal da nossa luta, não permitir que uma entidade estrangeira nos diga o que fazer no nosso país", disse Roberto Ruano, representante da Associação Mexicana dos Titulares de Palcos e Tribunas (AMTPP, na sigla em espanhol), aos jornalistas, em frente ao Estádio da Cidade do México.O representante acrescentou que é necessário "cuidar e respeitar o Estado de direito" no país, criticando a atitude da Guarda Nacional por estar a "proteger a FIFA", apesar de "haver um contrato" e uma ordem judicial que o sustenta.Por isso, os empresários detentores das tribunas no principal estádio de futebol do país ameaçam juntar-se às manifestações de protesto, cujo arranque está marcado para a noite desta quinta-feira e que pretendem chamar a atenção para muitos outros temas sensíveis, incluindo as vítimas da criminalidade violenta no país.Contrato com 99 anos de duraçãoEm causa está uma contenda entre a FIFA e os detentores das tribunas nos estádios de futebol do México, que assinaram um contrato com o Governo e com os detentores dos recintos desportivos, em que estipulava que durante 99 anos os investidores teriam acesso total e desimpedido às tribunas que lhes tinham sido atribuídas por ajudaram na construção dos estádios desportivos.O contrato não continha cláusulas que impedissem a utilização destes espaços e os empresários já tinham usufruído destas tribunas no Mundial de 1986.No entanto, a FIFA, que administra os estádios durante o campeonato tripartido entre México, Estados Unidos e Canadá, impediu a entrada dos empresários nos espaços, o que levou a uma contenda judicial.A 12 de Maio, a juíza do Supremo Tribunal de Justiça Concepción Martín Argumosa pronunciou-se sobre o litígio em favor dos empresários, considerando que a lei mexicana tinha de ser respeitada e o contrato em questão não tinha cláusulas que proibissem o acesso às tribunas pelos detentores das tribunas e que a FIFA queria alugar para os encontros que se realizam no principal estádio do país.A decisão do Supremo decidia também que os detentores das tribunas poderiam consumir alimentos próprios e bebidas.A FIFA recorreu da decisão e, na terça-feira, o juiz federal Oswaldo López Arellanos determinou que, apesar de ser permitido o acesso aos recintos, todos os que ingressassem, independentemente do tipo de acesso, tinham de consumir alimentos e bebidas disponibilizados nos pontos de venda da FIFA e não poderiam ingressar com os automóveis próprios.No entanto, os empresários foram impedidos de ingressar nas áreas que lhes correspondiam por elementos da segurança contratados pela FIFA.