O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (11) que os resultados do Planejamento Espacial Marinho (PEM) da Região Norte serão compartilhados com a Petrobras, em meio aos debates sobre a exploração na Margem Equatorial. Segundo ele, os estudos vão fornecer informações sobre as riquezas naturais da plataforma continental brasileira, áreas de preservação ambiental e regiões com potencial para atividades econômicas. A declaração foi feita após o anúncio da aprovação de R$ 13,2 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo para Estruturação de Projetos (BNDES FEP) para o PEM Norte, parte da iniciativa BNDES Azul, feito a bordo da Fragata Tamandaré, da Marinha do Brasil. O estudo vai orientar políticas e ações para ordenar a exploração do litoral dos estados do Amapá, Pará e Maranhão. "O planejamento espacial brasileiro é como o plano diretor de uma cidade para a costa brasileira. Hoje estamos liberando os recursos exatamente para a última região que falta, que é a região Norte, e isso vai ser compartilhado com a Petrobras", afirmou. A aprovação conclui o processo de apoio ao planejamento espacial marinho de todo o litoral brasileiro, com investimento total de R$ 32 milhões não reembolsáveis. O BNDES já apoiou os planejamentos das regiões Sul e Sudeste, com investimentos de R$ 7 milhões e R$ 12 milhões, respectivamente. O planejamento da Região Nordeste é financiado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). No evento, o presidente do BNDES afirmou que a exploração de recursos energéticos reduz a vulnerabilidade econômica do país e apontou o potencial da Margem Equatorial. "Olha o peso que tem hoje na economia brasileira o pré-sal. Imagina o que seria essa guerra no Irã se o Brasil tivesse as vulnerabilidades estratégicas que tinha no passado. E o que pode representar a Margem Equatorial em termos de alavancagem de recursos", disse. Segundo Mercadante, o banco também discute com a Petrobras e a Vale uma agenda voltada à avaliação do potencial de minerais críticos em terra e na plataforma continental. "A mineração marinha virá. O que nós temos é que nos preparar para qualquer iniciativa ser bem feita." O anúncio do PEM Norte integrou um conjunto de iniciativas apresentadas durante o balanço do BNDES Azul. Desde o lançamento da iniciativa, em 2024, o banco afirma ter mobilizado R$ 455 milhões em iniciativas socioambientais ligadas à economia azul. Mercadante ainda defendeu a retomada da indústria naval brasileira e ressaltou que o país "aprendeu com o passado". "O Brasil já errou nesse setor, mas é um completo equívoco achar que nós não somos capazes de construir navios", disse em discurso. O banco também lançou uma chamada com potencial de mobilizar até R$ 120 milhões para projetos voltados à segurança hídrica, anunciou novos apoios para projetos de recuperação de corais e formalizou uma parceria com o ICMBio para ações de conservação da biodiversidade em unidades de conservação federais. Predio do BNDES sede fachada — Foto: Leo Pinheiro/Valor