O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (11) que deseja assumir o controle da Ilha de Kharg, principal centro da infraestrutura petrolífera do Irã. Analistas dizem que os militares dos Estados Unidos poderiam tomar a ilha rapidamente, mas a operação poderia colocar as tropas americanas em grande perigo e prolongar, em vez de encurtar, a guerra. A Ilha de Kharg está localizada a 16 milhas (26 km) da costa iraniana, na parte norte do Golfo, cerca de 300 milhas (483 km) a noroeste do Estreito de Ormuz. Ela se encontra em águas profundas o suficiente para permitir a atracação de petroleiros grandes demais para se aproximarem das águas rasas da costa continental iraniana. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a ilha era responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã. Sua captura interromperia severamente o comércio energético iraniano e exerceria enorme pressão sobre a economia de Teerã. O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). As forças americanas realizaram ataques contra Kharg em março e abril, e Trump afirmou que eles “obliteraram completamente” todos os alvos militares na ilha, acrescentando que a infraestrutura petrolífera poderia ser o próximo alvo. Na época, autoridades dos EUA disseram à Reuters que o governo avaliava a possibilidade de enviar soldados para a ilha. Desde então, Kharg não voltou a ser atacada, embora os EUA tenham atingido petroleiros próximos à ilha enquanto mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Trump declarou nesta quinta-feira que gostaria de tomar o centro petrolífero, embora não tenha apresentado planos concretos para isso. “Minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg... essa seria minha preferência. Não sei se os EUA têm disposição para isso”, disse Trump à Fox News. A tomada da ilha talvez não tivesse impacto imediato sobre a economia iraniana, já que as exportações de petróleo do país já foram severamente reduzidas pela guerra. Especialistas afirmam que as tropas americanas provavelmente conseguiriam capturar a ilha com relativa rapidez, mas isso não significaria necessariamente um fim rápido e decisivo para o conflito. “A captura e ocupação da Ilha de Kharg têm mais probabilidade de expandir e prolongar a guerra do que de proporcionar qualquer tipo de vitória decisiva”, escreveram Ryan Brobst e Cameron McMillan, da Foundation for Defense of Democracies, em março. Eles afirmaram que as tropas dos EUA ficariam expostas a ataques de mísseis e drones, incluindo, potencialmente, drones de visão em primeira pessoa (FPV) equipados com câmeras, já utilizados aos milhões na Ucrânia. “Após quaisquer ataques bem-sucedidos, espera-se que o regime iraniano divulgue vídeos desses ataques na internet, utilizando as mortes chocantes de militares americanos como propaganda”, escreveram. O ex-comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), Joseph Votel, declarou ao site TWZ.com em março que, embora apenas entre 800 e 1.000 soldados fossem necessários para manter o controle da Ilha de Kharg, eles dependeriam de apoio logístico que também precisaria ser protegido. Votel afirmou que essas tropas seriam altamente vulneráveis e duvidou que a tomada da ilha proporcionasse alguma vantagem tática significativa. Segundo ele, seria uma medida “estranha”, embora os EUA fossem capazes de executá-la caso considerassem necessário.