O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (11) que assumirá a infraestrutura de petróleo e gás do Irã “em algum momento num futuro não muito distante”. “Em algum momento num futuro não muito distante, assumiremos o controle da Ilha de Kharg e de outras infraestruturas petrolíferas, passando a controlar totalmente os mercados de petróleo e gás do Irã, da mesma forma que fizemos com a Venezuela — algo que tem funcionado de maneira brilhante tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América. Obrigado pela atenção a este assunto!”, escreveu Trump em publicação na plataforma Truth Social. O presidente americano também ameaçou “atingir com muita força” o Irã na noite de hoje. “Os Estados Unidos vão atingir o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, radares, sistemas antiaéreos e todas as demais formas de defesa, juntamente com grande parte de sua capacidade ofensiva, já NÃO EXISTEM MAIS!) MUITO DURAMENTE esta noite”. presidente dos EUA, Donald Trump, diz que assumiá o controle da infraestrutura de petróleo do Irã — Foto: Reprodução/Truth Social Pouco depois, em entrevista à Fox News, Trump confirmou que gostaria de assumir o controle da Ilha de Kharg, principal centro da infraestrutura petrolífera do Irã, mas disse não saber se os americanos apoiariam uma escalada mais ampla do conflito. “Estamos conversando com eles e tudo mais, mas, vejam, minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg. Essa seria minha preferência. Não sei se os Estados Unidos têm disposição para isso”, disse o americano ao canal. Apesar da promessa de ampliar os ataques contra o país persa na noite de hoje, Trump afirmou que preferiria evitar alvos como pontes e usinas de energia. O presidente acrescentou que Washington continua mantendo contatos com Teerã na tentativa de alcançar um acordo, apesar da intensificação das operações militares. A Ilha de Kharg responde normalmente pela exportação da maior parte do petróleo iraniano, cerca de 2 milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 2% da oferta global, com a maior parte destinada à China. Segundo analistas, uma eventual tomada da ilha pelos EUA não teria efeito imediato sobre os embarques, que já foram amplamente interrompidos nas últimas semanas em razão do bloqueio americano às exportações iranianas. As ameaças ocorrem após a nova onda de ataques trocados por Washington e Teerã, que colocou em xeque as negociações sobre um possível acordo de paz, bem como a navegação sobre o Estreito de Ormuz. Segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, os ataques dos EUA têm como objetivo pressionar o país persa a fechar um acordo nos termos defendidos por Trump. Os militares americanos afirmaram ter atingido sistemas de vigilância, comunicações e defesa aérea iranianos em uma operação de cerca de quatro horas, realizada em resposta ao que classificaram como “agressão contínua e injustificada” de Teerã. Como resposta, o regime iraniano disse ter fechado o Estreito de Ormuz para todo tipo de embarcação, como petroleiros e navios comerciais – o que foi negado pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). Além disso, Teerã lançou ataques contra o Kuwait, Bahrein e Jordânia. Mais cedo, fontes iranianas disseram à agência Reuters que as negociações entre as partes se intensificaram apesar da nova rodada de hostilidades. A guerra já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e elevou os preços globais do petróleo desde o início dos bombardeios lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O presidente Donald Trump fala à imprensa após retornar e desembarcar do Air Force One, na quarta-feira, 20 de maio de 2026, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, depois de discursar na cerimônia de formatura da Academia da Guarda Costeira dos EUA — Foto: AP/Jacquelyn Martin