Em um livro de 2022, ainda sem tradução para o português, o sociólogo alemão Hartmut Rosa argumenta que as democracias contemporâneas podem encontrar na religião recursos importantes para renovar práticas de escuta e diálogo na política.

A princípio, a ideia de que a religião possa contribuir para a vida democrática parece contraintuitiva. Afinal, nos últimos anos, em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, referências religiosas têm sido amplamente mobilizadas no debate político para reforçar sectarismos e legitimar posições abertamente reacionárias.

Rosa não ignora esse fenômeno, tampouco desconsidera a crise de confiança que afeta instituições religiosas, agravada por sucessivas denúncias de escândalos financeiros e casos de abuso sexual. Ainda assim, o sociólogo defende que a religião pode nos ajudar a desenvolver alternativas a formas de relação com o mundo muitas vezes caracterizadas pelo controle da natureza e pela lógica da aceleração.

Para Rosa, a modernidade se organiza a partir de processos de aceleração que acabam comprometendo algumas de suas principais promessas, como o ideal de uma sociedade plural e inclusiva, na qual seríamos capazes de conviver e dialogar com posições divergentes.