PUBLICIDADE Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público; grupo teria ligação com uma milícia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada do prédio do Ministério Público do Rio de Janeiro — Foto: MPRJ/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 10:28 MP-RJ Denuncia 15 por Esquema de Loteamentos Clandestinos no Rio O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 15 pessoas, incluindo quatro policiais, por envolvimento em um esquema de loteamentos clandestinos na Zona Oeste do Rio. A quadrilha é acusada de estelionato, corrupção e crimes ambientais, com prejuízo de R$ 846 mil. Foram cumpridos mandados de prisão e busca em diversos bairros, com apoio das corregedorias da Polícia Civil e Militar. O grupo usava policiais para obter informações privilegiadas e dificultar investigações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os policiais civis Marcos Eduardo Maia, Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado foram presos, nesta quinta-feira, por suspeita de envolvimento em uma organização criminosa responsável pela criação e comercialização de loteamentos ilegais no Parque Estadual da Pedra Branca, em Campo Grande, na Zona Oeste da capital. Os três, assim como o policial militar Wendel Vale de Oliveira e outras 11 pessoas foram denunciados pelos grupos de atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Especializada em Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A quadrilha agia, afirma o MP, por meio de estelionato, corrupção e crimes contra o meio ambiente. O prejuízo é estimado em mais de R$ 846 mil reais. Nesta quinta-feira, agentes foram às ruas para cumprir quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão contra os denunciados. As equipes estão em endereços nos bairros de Copacabana, na Zona Sul; Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste; Olaria, na Zona Norte; e Realengo, Magalhães Bastos e Jardim Sulacap, na Zona Oeste. Além do PM e dos policiais civis denunciados, entre os alvos dos mandados de busca também está um delegado da Polícia Civil, até o momento na condição de investigado por participação no esquema. A ação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria Geral da Polícia Militar. A denúncia descreve que centenas de vítimas foram atraídas pela falsa promessa de adquirir um terreno regularizado para construir a casa própria em uma área verde e arborizada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca. Segundo as investigações, Milton de Souza Junior, apontado como chefe do grupo, passava-se por proprietário de terras na região, promovia o parcelamento irregular dos terrenos e vendia os lotes. Para enganar os compradores, utilizava falsos corretores de imóveis, empresas de fachada e laranjas para receber os valores pagos. Vínculo com milícia As investigações também revelaram, segundo o MP, que a quadrilha era sustentada pela corrupção de agentes públicos, por vínculos com uma milícia da Zona Oeste e por práticas violentas. De acordo com a denúncia, o grupo contava com policiais para obter informações privilegiadas e dificultar o avanço das investigações. Foram também identificadas conversas em que os denunciados discutiam a execução de milicianos rivais. Segundo os investigadores, dados do celular do policial civil Marcos Eduardo Maia além de confirmar os crimes, revelaram que o esquema de corrupção envolvendo policiais civis da 35ª DP (Campo Grande) era contínuo e duradouro. O Ministério Público afirma que Maia fazia a interlocução com outros policiais civis envolvidos, como Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado, apontados na denúncia como responsáveis por levantar informações de interesse da organização criminosa. Do ladrão de celular com 'meta de produtividade' à mineração de criptomoedas: Como o Complexo da Maré virou uma central de crimes Wilson Renato Ribeiro Matheus seria braço direito de Silva Junior. Já o policial militar Wendel Vale de Oliveira, ainda conforme o MPRJ, era responsável por ceder maquinário, especialmente escavadeiras, para o grupo. Além deles, foram denunciados laranjas, falsos corretores de imóveis e proprietários de maquinário utilizado nas obras. Além do prejuízo financeiro, a quadrilha é acusada de promover graves danos ambientais. O Ministério Público requereu o sequestro de bens dos denunciados e a suspensão do exercício de funções públicas. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital. Em nota, a Polícia Civil afirmou que sua Corregedoria Geral participa da ação do Ministério Público que resultou na prisão de três servidores. A corporação afirma que já instaurou procedimento disciplinar para apurar a conduta funcional dos envolvidos. "A Polícia Civil acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta. A instituição mantém mecanismos de controle interno e correção voltados à apuração de irregularidades, colaborando com demais órgãos sempre que necessário. O compromisso da corporação é com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade", afirma a nota. O GLOBO tenta localizar as defesas pessoas denunciadas pelo MP. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.