Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, bancos e economistas também se empenharam no esporte de prever qual seleção ganhará o torneio. Goldman Sachs e Bank of America (BofA) estão entre as instituições que, nas últimas semanas, publicaram relatórios com as suas projeções para o campeão da Copa a ser disputada a partir desta quinta-feira (11) nos EUA, México e Canadá. Espanha e França aparecem como as favoritas na maioria das previsões de bancos e economistas, mas há quem destoe dessa avaliação. O economista alemão Joachim Klement, que previu corretamente os vencedores das três Copas anteriores, vê a Holanda como campeã em 2026 – além dessa surpresa, o modelo de Klement aponta a derrota do Brasil na primeira rodada após a fase de grupos. O modelo do Goldman Sachs aponta a Espanha como a principal favorita, com 26% de chances de vencer a Copa. Em seguida aparece a França, com 19%, a Argentina, com 14%, o Brasil, com 8%, e a Inglaterra, com 4%. Nas simulações do banco americano, as semifinais serão disputadas entre Espanha e França e Brasil e Argentina. Na final a seleção espanhola derrotaria o time de Lionel Messi. No modelo do Goldman Sachs, “os dados históricos de desempenho de cada equipe — principalmente o sistema de classificação Elo, originalmente criado para classificar jogadores de xadrez — são o principal fator determinante do número de gols marcados”. O sistema Elo é um indicador composto do sucesso das seleções nacionais de futebol que varia de acordo com os resultados de uma equipe e a força de seus adversários. “Mas, mesmo para uma determinada classificação Elo, demonstramos que o talento para marcar gols e o momento da equipe são importantes, assim como vários fatores relacionados à mentalidade e à localização geográfica”, explica o Goldman Sachs. “Em seguida, simulamos um conjunto de probabilidades de que uma determinada equipe chegue a uma determinada fase, até a conquista da Copa do Mundo”. O Bank of America, por sua vez, fez uma pesquisa com 65 integrantes do departamento de Pesquisa Global do banco, que apontou a França como a provável campeã, com 40% dos votos, enfrentando a Espanha na final. No levantamento, o francês Mbappé é apontado como o artilheiro da Copa, enquanto o espanhol Lamine Yamal é o favorito para ser eleito o melhor jogador do torneio. O BofA também fez uma consulta detalhada ao Copilot, o assistente de inteligência artificial da Microsoft, que também destaca a França, mas acrescentando que a Espanha tem a mesma probabilidade de ganhar a Copa do Mundo. O relatório do banco ressalta ainda várias estatísticas importantes sobre o Mundial de futebol deste ano, que terá o maior número de seleções de todas as Copas — 48. Esse grupo de países representa 27% da população mundial e 62% do PIB global. A competição deverá adicionar US$ 40,9 bilhões ao PIB global, aponta o BofA, citando estudo da Fifa e da Organização Mundial do Comércio (OMC), que também prevê a criação de 824 mil empregos. A França tem um time formado por estrelas como Mbappé, do Real Madrid, e Dembelé, do PSG, vencedor do prêmio Bola de Ouro e da Fifa como o melhor jogador de 2025, além de Olise, do Bayern de Munique, e Cherki, do Manchester City. A Espanha também conta com um grande time, em que se destacam Lamine Yamal e Pedri, do Barcelona, e Rodri, do Manchester City, e Nico Williams, do Athletic Bilbao. As previsões dos dois bancos americanos se alinham às apostas de grande parte dos especialistas no esporte. O supercomputador da Opta, a empresa de coleta e análise de dados esportivos, aponta, com 25 mil simulações, a Espanha como favorita, com 16,1% de probabilidade de ganhar a Copa, à frente da França, que aparece com 13%. O Brasil ficou na sexta posição, com 6,6%, atrás de Inglaterra, com 11,2%, Argentina, com 10,4% e Portugal, com 7%. Nesse quadro, chama a atenção a previsão do estrategista de investimentos Joachim Klement, que acertou o vencedor nas três Copas anteriores – Alemanha, em 2014, França, em 2018, e Argentina, em 2022. Para ele, a final deverá ser disputada entre Holanda e Portugal, com os holandeses, vice-campeões em 1974, 1978 e 2010, finalmente conquistando a Copa e impedindo Cristiano Ronaldo de vencer o torneio em sua, tudo indica, sexta e última participação num Mundial. O modelo de Klement leva em conta fatores como o PIB per capita e o tamanho da população do país, a temperatura, o fato de a seleção ser ou não anfitriã da Copa e o ranking da Fifa. Essas variáveis explicam cerca de 55% do sucesso das equipes no torneio, diz ele. “Mas isso significa que em torno de 45% do resultado é determinado pela sorte. Assim, meu modelo inclui um elemento de aleatoriedade na determinação do resultado das partidas entre quaisquer duas equipes”, escreve Klement. Além de projetar um vencedor que não é apontado como favorito pelos especialistas, o alemão prevê que o Brasil sairá do torneio muito cedo. No que ele classifica como uma das maiores zebras da histórias das Copas, a seleção brasileira seria derrotada pelo Japão logo após a fase de grupos, em que os 32 melhores times começam a disputar os mata-matas. Klement lembra que os japoneses bateram a Alemanha em 2022, ganharam do Brasil por 3 a 2 em outubro do ano passado e venceram recentemente a Inglaterra e a Escócia, nos dois jogos por 1 a 0. Para quem acha que todas essas previsões e a enorme expectativa em torno da Copa são perda de tempo, vale lembrar a frase do ex-jogador escocês Bill Shankly, treinador do Liverpool de 1959 a 1974 – “Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou morte. Posso garantir que é muito, muito mais importante do que isso”. Ou talvez a definição menos grandiloquente do técnico italiano Arrigo Sacchi, para quem "o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes".
Na febre da Copa, bancos e economistas também entram no esporte de projetar o vencedor; veja os favoritos
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