As remessas de sucata de tungstênio reciclada dos Estados Unidos para o Japão — uma fonte cada vez mais importante desse metal industrial essencial — dispararam, à medida que as restrições chinesas às exportações levam as empresas a buscar alternativas. As exportações para o Japão de sucata recuperada de ferramentas de carboneto de tungstênio e outros materiais atingiram 590 toneladas no primeiro trimestre, 24 vezes o volume total de 2025, segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos. No geral, as exportações americanas triplicaram para 1,72 mil tonelada no primeiro trimestre em comparação com o ano anterior, aproximando-se dos 2,2 mil toneladas exportados durante todo o ano de 2025. As exportações para destinos asiáticos, excluindo a China, representaram cerca de 60% do total, enquanto a Europa respondeu por cerca de 30%. O tungstênio é essencial para a fabricação de ferramentas ultraduras usadas no processamento de peças automotivas e também é utilizado em eletrônicos, semicondutores, armamentos e outras aplicações. Embora a demanda global esteja aumentando devido ao conflito no Oriente Médio, a China, que detém 80% do mercado mundial do metal, está impondo restrições à exportação. As exportações de tungstênio da China para o Japão estão interrompidas desde fevereiro. Para manter o fornecimento às montadoras e outros fabricantes, o Japão está aumentando a aquisição de sucata dos Estados Unidos, da Europa e de Cingapura. Os Estados Unidos encerraram a mineração doméstica de tungstênio em 2015, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Mas os materiais de sucata são abundantes e relativamente baratos de reprocessar, graças aos baixos preços da energia no país. Em 2024, cerca de 30% do consumo de tungstênio dos Estados Unidos veio de sucata, segundo estimativas da Global Market Insights. Com o aumento da demanda por sucata de tungstênio dos Estados Unidos, o preço também dispara, atingindo US$ 167,50 por libra em maio, segundo dados da Argus Media, um aumento acentuado em relação aos menos de US$ 40 registrados um ano antes. Mas a alta nos preços não é impulsionada apenas pela demanda japonesa. A China, apesar de ser um país minerador, está comprando sucata de tungstênio dos Estados Unidos. Ryan McAdams, executivo-chefe (CEO) da Amermin, empresa americana de reciclagem de minerais, disse ao “Nikkei Asia” que sua empresa está observando "esforços crescentes de compradores estrangeiros de países rivais para adquirir sucata de tungstênio dos Estados Unidos, e isso está ocorrendo em todo o setor". Embora as estatísticas comerciais não revelem o volume de sucata de tungstênio exportada dos Estados Unidos para a China, é possível que o fluxo passe por outros países. Nick Stevens, proprietário da empresa de reciclagem de sucata JC Metals, afirmou que compradores chineses tentaram convencê-lo a entregar tungstênio a terceiros nos Estados Unidos, Canadá e Dubai. Presumivelmente, esses terceiros enviariam o produto para a China. No início de 2025, como parte das contramedidas às tarifas impostas pelo governo Trump, a China reforçou os controles de exportação de cinco minerais críticos, incluindo o tungstênio, e reduziu as cotas de mineração. Com as instalações de mineração também envelhecendo, a produção doméstica está em declínio generalizado. "Em meio às restrições de oferta e à retomada das importações, as empresas chinesas estão se tornando mais proativas na aquisição", disse Li Xuelian, pesquisador-chefe sênior do Instituto Marubeni, no Japão. Essa situação levou a China a comprar mais sucata de tungstênio. A partir de 2017, a China proibiu gradualmente as importações de sucata como medida de controle da poluição ambiental, mas, com a oferta de matérias-primas cada vez mais restrita, retomou as importações de sucata que atendem aos padrões de qualidade. "Desde 2024, houve uma reavaliação da sucata de tungstênio como matéria-prima reciclada, sob a perspectiva da segurança de recursos", disse Li. Em março, 20 empresas americanas, incluindo a Amermin, enviaram uma carta ao Secretário de Comércio, Howard Lutnick, pedindo controles de exportação mais rígidos em resposta a ações como o acúmulo de estoques pela China. "Uma vez que esse material deixa nossas fronteiras, ele pode ser processado e refinado no exterior sob condições que não são transparentes nem alinhadas aos interesses nacionais dos Estados Unidos", dizia a carta. McAdams, da Amermin, disse que "o fato de compradores estrangeiros adversários estarem competindo ativamente por esses materiais destaca seu valor estratégico e levanta questões importantes sobre como os Estados Unidos e seus aliados podem melhor garantir suas cadeias de suprimento de tungstênio no mercado interno".
Exportações de sucata de tungstênio dos EUA para o Japão disparam após restrições chinesas
Exportações de sucata de tungstênio dos EUA para o Japão disparam após restrições chinesas










