O presidente quer fazer uma festa sobre ele próprio, como se fosse a figura mais importante da História americana O presidente dos EUA, Donald Trump, fala no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, após ameaçar ampliar os ataques contra o Irã — Foto: KEN CEDENO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 21:37 Trump planeja festival de lutas na Casa Branca para seus 80 anos O presidente Donald Trump planeja celebrar seu 80º aniversário com um festival de lutas na Casa Branca, desejando destacar-se em meio à Copa do Mundo e às comemorações dos 250 anos de independência dos EUA. Trump, alheio ao futebol, reconhece a importância do evento global. Contudo, sua política imigratória e ingressos caros afastaram torcedores tradicionais. O conflito com o Irã ameaça ofuscar esses eventos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Donald Trump certamente integra a lista de pessoas mais famosas do planeta em seu tempo de vida. Afinal, antes do século XX, muitas grandes figuras históricas não eram necessariamente conhecidas em lugares mais distantes. Os incas, astecas e maias não haviam ouvido falar de Alexandre, o Grande, ou de Jesus Cristo na época em que os dois viveram. Devem, nos dias de hoje, ser raríssimas as pessoas que nunca escutaram o nome do atual presidente americano, para o bem ou para o mal. No próximo domingo, o republicano completa 80 anos em meio a uma Copa do Mundo e semanas antes das celebrações de 250 anos de independência dos EUA. São estes três eventos que dominam o dia a dia do presidente. Trump não quer que nada ofusque sua festa de aniversário, que será celebrada com um festival de lutas de vale-tudo em uma arena montada na Casa Branca. Talvez queira se sentir como um imperador romano vendo gladiadores derramando sangue em embates no coliseu. Há algo de macabro na decisão de uma pessoa escolher passar a marca de oito décadas de vida desta forma. Mas cada um sabe o que faz. A Copa do Mundo será em três países, mas os EUA sediarão a maior parte dos jogos e a final. Quando o Mundial ocorreu aqui em 1994, futebol ainda era uma questão secundária no país. Bill Clinton não se deu ao trabalho de ir a Los Angeles ver o Brasil contra a Itália na final. Coube ao seu vice Al Gore entregar a taça a Dunga. Sequer havia uma liga profissional do esporte. Canais de TV, mesmo os de esporte, não transmitiam partidas do exterior. Hoje crianças circulam pelas ruas com camisas do Chelsea e do Manchester City. Messi e Cristiano Ronaldo são das pessoas mais conhecidas em qualquer vilarejo americano. Ligas da Europa, da América do Sul e mesmo da Arábia Saudita são exibidas na TV. O futebol, ou soccer, como eles dizem, é a modalidade mais praticada por meninos e meninas, superando futebol americano, basquete, beisebol e natação. Já Trump nunca se interessou muito por esportes, a não ser golfe. Chegou a cochilar na final da NBA entre o New York Knicks e o San Antonio Spurs no Madison Square Garden. Do futebol, só uma admiração por Pelé nos tempos do Cosmos e acima de tudo das noitadas no Studio 54 em Manhattan. Mas o presidente americano captou a importância do evento mundial. Teve sorte de a Fifa ser comandada por um bajulador chamado Gianni Infantino que faz de tudo para agradar-lhe. Chegou a dar até um prêmio “Fifa da Paz” para consolar o governante americano, que estava chateado por não ter ganhado o Nobel como Barack Obama. Empoderado por Infantino, o republicano conseguiu transformar um evento festivo em algo agressivo com sua política imigratória xenófoba e ingressos caros que espantaram os tradicionais torcedores-turistas de Copa. Pagar US$ 2 mil para ver Brasil contra Marrocos na primeira fase? Pior, Trump pode querer ofuscar os campeões na entrega da taça, como fez com os jogadores do Chelsea no Mundial de Clubes. Durante a Copa, ao redor das oitavas de final, haverá ainda a celebração dos 250 anos de independência dos EUA. Em vez de celebrar Benjamin Franklin, Thomas Jefferson e George Washington, o presidente quer fazer uma festa sobre ele próprio, como se fosse a figura mais importante da história americana. Vamos acompanhar estes três eventos de Trump. O risco para o líder americano, no entanto, é que “suas” três festas sejam ofuscadas pela guerra do Irã.
O Irã e as 'três' festas de Trump
O presidente quer fazer uma festa sobre ele próprio, como se fosse a figura mais importante da História americana








