Outras equipes que chegaram desacreditadas driblaram a sina para fazer história A seleção brasileira no amistoso contra o Panamá, no Maracanã, antes da Copa — Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo/31/05/2026 É inegável que a seleção brasileira terá de vencer o descrédito nesta Copa do Mundo, a maior já realizada pela Fifa, pela primeira vez com 48 equipes em três países — México, Estados Unidos e Canadá. Em pesquisas recentes, os que confiam na conquista do hexa não passam de 25% (Quaest) ou 29% (Datafolha). Se o Brasil não ganhar, ampliará o jejum de 24 anos, o mais longo ao lado do período de 1970 a 1994. Mas seleções que largaram desacreditadas acabaram driblando a sina para fazer história — o maior exemplo é a formidável equipe de 1970. Enquanto outras são lembradas pelo que poderiam ter feito — como em 1950, 1982, 1998 ou 2014. Apesar dos prognósticos pouco favoráveis e das baixas por lesões, o Brasil tem tudo para apresentar um futebol competitivo. Os jogadores atuam nos principais times do mundo e estão acostumados a jogar em alta intensidade. Embora possa se discutir um ou outro nome, qualquer lista não passaria longe da atual. Com eventuais exceções, os melhores foram convocados, formando um grupo que mescla experiência e juventude. Mesmo a controversa convocação de Neymar tem apoio da torcida, como ficou evidente no amistoso entre Brasil e Panamá, no Maracanã, quando seu nome foi entoado em coro. Trata-se sem dúvida do maior talento produzido pelo futebol brasileiro nos últimos tempos. Em que pesem o histórico de lesões e as incertezas sobre a forma física, faz sentido não abrir mão do craque. Vencido o preconceito contra técnicos estrangeiros, a seleção também chega com um dos melhores treinadores do mundo, o italiano Carlo Ancelotti. Embora ele tenha pouca experiência em seleções, sua capacidade é inquestionável. A infraestrutura logística montada pela CBF nos Estados Unidos não fica devendo nada à de outras seleções. Evidentemente nada disso é garantia de sucesso. O imponderável está sempre à espreita. Diz um dos lugares-comuns do futebol que ninguém ganha ou perde de véspera. A seleção brasileira precisa fazer o que sempre fez: jogar bola. É a única a ostentar cinco estrelas no peito, e somente a Alemanha pode igualar o feito nesta Copa, uma vez que a outra tetracampeã, a Itália, ficou de fora. Além disso, apenas o Brasil participou de todas as edições. Claro que o hexa é difícil, como mostram as tentativas frustradas. Mas espera-se que a camisa consagrada por Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldos e tantos outros craques inspire nossos atletas a dar seu melhor em campo. Se trarão a taça, nem o mais avançado modelo estatístico é capaz de dizer, afinal futebol é imprevisível. Mas isso não significa que as chances sejam inexistentes. Elas são reais — e nem os mais céticos podem ignorá-las.
Apesar de prognóstico desfavorável, seleção ainda tem chances na Copa
Outras equipes que chegaram desacreditadas driblaram a sina para fazer história












