Faz pelo menos 5 milhões de anos que a mesma área das profundezas do oceano Índico tem funcionado como um imenso cemitério de baleias –e, em vez de produzir cenas macabras, o processo levou ao surgimento de um ecossistema inteiro, com espécies únicas, em torno dos restos mortais dos mamíferos aquáticos.

Submersíveis chineses mapearam parte da floresta submarina de esqueletos na chamada zona de fratura Diamantina, a oeste da Austrália. Detalhes sobre a biodiversidade moderna e extinta da região estão em artigo publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica Nature.

Os autores do estudo, liderados por Xiaotong Peng, do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo da Academia Chinesa de Ciências, identificaram quase 500 "chuvas de baleias" (em inglês "whale falls", nome dado ao sepultamento dos grandes mamíferos no leito marinho) numa faixa de 1.200 km de comprimento ao longo da zona Diamantina. A geologia peculiar do local foi moldada pelo processo de separação entre a massa continental da Austrália e a Antártida há cerca de 50 milhões de anos.

Ossos de baleias no fundo do oceano Índico atraíram uma grande biodiversidade de invertebrados, como parentes das estrelas-do-mar e moluscos bivalves - Reprodução