O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026 e, em maio, registrou o décimo mês consecutivo de queda das exportações para os americanos, segundo aponta o Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil). Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral (soma de todas as exportações e importações) somou US$ 29,5 bilhões, uma queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações. As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14 bilhões entre janeiro e maio, um recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022, segundo a Amcham. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda, de 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão. A avaliação é corroborada pelos dados divulgados na semana passada pelo governo federal, que apontam que a fatia dos EUA na exportação brasileira caiu para 9,4% de janeiro a maio deste ano, ante 12,2% de iguais meses do ano passado. Como noticiou o Valor, a participação deste ano é a menor para o período em toda a série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), iniciada em 1997. A menor fatia deste ano é resultado ainda do impacto da política tarifária do presidente americano, Donald Trump. Entre os principais fatores que explicam a retração das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, destacam-se as reduções nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo. Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 3,1 bilhões, queda de 14% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de retração. As importações recuaram 11%, registrando o sexto mês seguido de queda. O levantamento mostra ainda que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o restante do mundo. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 16% no mesmo período. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%. Em comunicado, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirma que o comércio bilateral continua operando “abaixo do seu potencial”. “Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, diz. A entidade ainda destaca que o cenário de contração na corrente comercial entre os dois países ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Se estas medidas se concretizarem, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.
Comércio entre Brasil e EUA recua 14,3% em 2026, com queda de exportações e importações
Segundo a Amcham Brasil, resultados reforçam a importância de avançar nas negociações para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre os países








