Pontífice comanda cerimônia de inauguração da nova torre do monumento catalão, 100 anos após a morte do arquiteto Antoni Gaudí Vista geral da Basílica da Sagrada Família, obra de Antoni Gaudí, em Barcelona, antes da visita do Papa Leão XIV à Espanha — Foto: Lluis Gene/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 14:44 Papa Leão XIV Celebra Missa na Sagrada Família em Homenagem a Gaudí O Papa Leão XIV celebrou missa na Sagrada Família em Barcelona, abençoando a nova torre da basílica, a igreja mais alta do mundo. A visita marca 100 anos da morte de Antoni Gaudí, cujo processo de canonização está em andamento. Leão XIV também visitou a prisão de Brians e a Abadia de Montserrat, reforçando sua missão de revitalizar a Igreja na Espanha. A Sagrada Família, ainda em construção, atrai milhões de visitantes e deve ser concluída em cerca de dez anos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Papa Leão XIV abençoa, nesta quarta-feira, a enorme nova torre da basílica da Sagrada Família, em Barcelona, a igreja mais alta do mundo e um dos monumentos mais famosos da Espanha, após visitar uma prisão e a Abadia de Montserrat, símbolo da identidade religiosa catalã. O Pontífice chegou à obra-prima modernista ainda inacabada de Antoni Gaudí exatamente um século após a morte do venerado arquiteto, um católico devoto cujo processo de canonização está em andamento no Vaticano. Ao chegar ao local, por volta das 14h15 (horário de Brasília), o Pontífice foi recebido pelo rei da Espanha, Felipe VI, e pela rainha consorte, Letizia Ortiz Rocasolano. Uma jovem cega detalhou a construção da nova torre, inaugurada durante a cerimônia de hoje, para o Papa por meio de uma experiência tátil, tocando uma maquete do projeto. Na sequência, Leão XIV foi apresentado ao interior da basílica, e se pôs de joelhos na cripta, onde estão os restos mortais de Gaudí. O arquiteto foi enterrado na capela dedicada a Nossa Senhora do Carmem. Leão XIV, de 70 anos, americano com cidadania peruana, visitou esta manhã a prisão de Brians, a 40 km de Barcelona, onde disse aos detentos que "o passado não condena o futuro" e recebeu presentes de dois deles, um dos quais quebrou o protocolo e o abraçou. Mais tarde, o Papa chegou de helicóptero à espetacular Abadia de Montserrat, na montanha de mesmo nome, onde foi recebido por uma multidão entusiasmada, como tem sido costume em toda a sua viagem à Espanha, que começou no sábado. Assim como fez na terça-feira em Barcelona, Leão XIV misturou catalão e espanhol em seu discurso em Montserrat, um local emblemático da cultura e da história desta região do nordeste da Espanha, onde o sentimento nacionalista é forte. Na noite de terça-feira, o Papa recebeu uma calorosa recepção ao participar de uma vigília no Estádio Olímpico de Barcelona, onde manteve sua tradição de abençoar bebês trazidos pelo público. O Pontífice, líder espiritual dos 1,4 bilhão de católicos do mundo, tem buscado revitalizar a Igreja na Espanha, um tradicional reduto católico onde a prática religiosa tem declinado drasticamente nas últimas décadas. Mais de 140 anos após o lançamento de sua pedra fundamental, a Sagrada Família atrai centenas de milhares de visitantes todos os anos — e, em fevereiro, tornou-se a igreja mais alta do mundo, com a Torre de Jesus Cristo atingindo o marco de 172,5 metros. A Fachada da Glória — a principal fachada frontal do templo — ainda precisa ser finalizada, entre outros elementos. Mesmo com avanços de drones e sistemas de inteligência artificial, que já substituíram os alpinistas que antes levavam dois anos para inspecionar toda a basílica, especialistas envolvidos nas obras afirmam que a expectativa é que a construção da Sagrada Família seja encerrada em cerca de dez anos. — Quando tivermos a IA totalmente treinada, será possível escanear toda a basílica em apenas um mês — afirmou Fernando Villa, diretor de tecnologia e inovação da igreja. Em 2021, a Torre da Virgem Maria foi inaugurada com 138 metros de altura. Em 2023, as quatro torres dos Evangelistas foram concluídas, com 135 metros cada. E, em 20 de fevereiro de 2026, a Torre de Jesus Cristo teve seu exterior finalizado com a instalação do braço superior da cruz, garantindo à Sagrada Família o título de igreja mais alta do mundo. A basílica recebeu quase cinco milhões de visitantes em 2025. Mais de um século de história Em 19 de março de 1882, o bispo Urquinaona lançou a pedra fundamental do templo em Barcelona. O projeto, inicialmente concebido pelo arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar, seguia as diretrizes neogóticas da época: janelas ogivais, contrafortes, arcobotantes e uma torre sineira pontiaguda. Divergências sobre o custo dos materiais, no entanto, levaram à substituição de del Villar, em 1883, por um jovem que começava a se destacar em seu tempo: Antoni Gaudí. Profundamente ambicioso e devoto católico, Gaudí tinha dois objetivos declarados ao assumir o projeto, segundo o historiador da arte e biógrafo Gijs van Hensbergen: — Criar, antes de tudo, uma Bíblia em pedra, que é a Sagrada Família. Mas também corrigir todos os erros dos estilos arquitetônicos anteriores — disse Hensbergen à BBC. Para isso, Gaudí voltou os olhos a uma das maravilhas do mundo antigo: o Arco de Taq-i Kisra, construído entre os séculos III e VI d.C. na antiga Ctesifonte, região do atual Iraque. A estrutura é um dos primeiros exemplos do chamado arco catenário, que distribui por igual o peso e as tensões de tração da construção. Com esse princípio, projetou as colunas da nave principal, que se ramificam como árvores e sustentam tanto o próprio peso quanto o das 18 torres do edifício. As grandes igrejas neogóticas da época dependiam de arcobotantes, estruturas de pedra projetadas das paredes superiores para níveis mais baixos, para sustentar seus tetos abobadados. Gaudí as considerava “muletas” para edifícios incapazes de suportar seu próprio peso. Sua alternativa exigiu décadas de pesquisa e domínio matemático: — Ele usou as catenárias para encontrar as formas mais eficientes. É uma forma extremamente elegante e, ao mesmo tempo, funcional. Ela se sustenta sozinha — explicou à rede britânica Liam Duff, engenheiro estrutural da empresa Arup, hoje envolvido nas obras da basílica.