O número de fintechs associadas à Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) caiu de 724 no início de 2025 para 588 atualmente, segundo o ex-presidente da entidade Diego Perez. A redução é atribuída às novas exigências do Banco Central (BC), que vem promovendo um aperto regulatório desde o ano passado. “Isso se reflete no mercado, porque a ABFintechs representa basicamente 60% do mercado de fintechs brasileiras. Então, a gente precisa olhar para dentro, reorganizar os nossos caminhos, traçar novas rotas”, disse ele durante a abertura do evento Fintouch, em São Paulo. A mudança que mais impacta o setor é o aumento do capital mínimo necessário para empresas reguladas, que varia conforme as atividades desempenhadas. Para um iniciador de transação de pagamento (ITP), por exemplo, subcategoria de instituição de pagamento (IP) que tem a menor exigência, o capital mínimo passou de R$ 1 milhão para pelo menos R$ 9,2 milhões. Diante desse cenário, o novo presidente da ABFintechs, Sergio Costantini, afirmou que a associação passará a ter uma postura mais ativa do que reativa para apoiar os associados. “Quando a gente fala de capital e risco, nas últimas decisões que a gente teve recentemente no Banco Central, tem fintech que vai ter o seu capital requerido multiplicado por ‘n’ vezes. Quando a gente fala de compliance e PLD [prevenção à lavagem de dinheiro], o controle hoje é muito mais rigoroso”, disse. Para o presidente do conselho da ABFintechs, José Luiz Rodrigues, as exigências refletem as dificuldades enfrentadas pelo regulador, que opera com equipes reduzidas e recursos escassos. “Isso tem gerado um problema sério. O presidente do Banco Central, todos eles têm defendido muito a equipagem do Banco Central, o orçamento do Banco Central. O projeto de lei que está lá no Congresso até hoje não anda, não sai”, afirmou, em referência à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65 de 2023, que trata da autonomia financeira da autarquia. Para Rodrigues, um BC independente representaria o “quarto poder” no país, diante do contexto de uma economia moderna. “O Executivo, que é parte do processo, tem medo do Banco Central. O Legislativo tem medo do Banco Central. Porque o Banco Central, na verdade, quando a economia é muito alta, por conta da penetração da economia, é o quarto poder da República.” Perez ressaltou que o setor de fintechs conseguiu se manter resiliente ao longo dos últimos anos diante das dificuldades enfrentadas. “Ele [o setor] continuou recebendo investimento, ele continuou crescendo, mesmo na adversidade do pré, pós e pandemia. Hoje, a gente vive um momento difícil. Um momento em que o mercado de fintechs está passando por uma prova, não só do ponto de vista regulatório, mas também do ponto de vista da percepção.” Segundo Perez, essa visão negativa está concentrada entre os “formadores de leis”, enquanto a população tem uma percepção oposta. “A população entende que fintech é positivo. A população entende que as fintechs vieram para ajudar na transformação do mercado financeiro e de capitais e que mais de 60 milhões de brasileiros tiveram seu primeiro acesso a serviços financeiros, o mais básico de todos, por meio de uma fintech nos últimos dez anos.” Sergio Costantini, presidente da ABFintechs — Foto: Divulgação
Número de associadas da ABFintechs cai de 724 para 588 com aperto de exigências do BC
Mudança que mais impacta o setor é o aumento do capital mínimo necessário para empresas reguladas, que varia conforme as atividades desempenhadas








