No dia da estreia da peça "Língua", em 2024, no Rio de Janeiro, o diretor Vinicius Arneiro percebeu que o público surdo entrava no teatro e, automaticamente, se dirigia para os cantos da plateia, onde geralmente os intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais) são visualizados com mais facilidade.

Ele ficou surpreso com o movimento e, ao mesmo tempo, percebeu que ele era óbvio. O público não ouvinte ainda não sabia que o espetáculo é totalmente inclusivo, criado e encenado em português e em Libras.

Naquele dia, com a ajuda de um intérprete, ele conversou com essas pessoas, as primeiras a chegar, e disse que elas poderiam sentar em qualquer lugar do espaço teatral.

Depois disso, "Língua" fez uma temporada bem-sucedida no Rio e apresentações na MITsp —Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Na primeira sexta-feira de junho, estreou no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, com apresentações até o final do mês.

Na estreia na capital paulista, deu para perceber que a comunidade surda se articulou para assistir à peça. No saguão, vários grupos usavam Libras para se comunicar antes do terceiro sinal e, no final, os aplausos foram com as mãos balançando.