Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestam as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.Numa carta aberta enviada nesta quarta-feira, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestam "enorme apreensão" com a nova proposta de revisão do regime jurídico do ensino, cujo enquadramento remuneratório "aprofunda a precariedade existente".Já é a segunda carta em menos de uma semana a alertar para os riscos da nova proposta. No final da semana passada, os leitores do EPE também manifestaram "profunda apreensão" face a eventuais propostas de alteração ao regime jurídico e enquadramento remuneratório, alertando que as medidas podem gerar desemprego e fragilizar a projecção internacional do país.No mesmo dia, o primeiro-ministro Luís Montenegro garantiu que o Governo tudo fará para “garantir condições” aos que continuam a querer ensinar português no estrangeiro, apontando a língua como “o elo mais eficaz e mais vivo” para manter a ligação entre toda a comunidade.Na carta desta quarta-feira, os membros da rede de EPE alegam que o novo regime "mantém profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores actualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro".No documento, os subscritores apelam ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e a várias estruturas executivas e forças políticas para que "promovam um processo de diálogo efectivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projectos educativos e a sustentabilidade" do EPE.Os subscritores recordam que o ensino do português fora de Portugal "constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa", principalmente numa "língua pluricêntrica e global como é o português".O "ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projecção internacional do país" e, "ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais", consolidando "projectos educativos" e "parcerias com escolas e universidades", procurando estabelecer "redes de cooperação internacional" e "a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos", pode ler-se."Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento colectivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE", ao fazer cessar os contratos, sujeitando os lugares a novos concursos.Na carta, perante a "possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação", os subscritores manifestam "sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica" do EPE.Actualmente, persistem problemas por resolver, como "remunerações desactualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação inexistentes e/ ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação", pode também ler-se."A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português", acrescenta.Na segunda-feira, no Luxemburgo, sindicatos representativos dos professores portugueses entregaram uma carta aberta ao Presidente da República e ao primeiro-ministro em que reiteram que a proposta de revisão do regime é insuficiente.O Sindicato dos Professores no Estrangeiro que integra a Federação Nacional dos Professores (SPE/FENPROF) entregou nesta quarta-feira, em representação dos professores do EPE, uma carta na qual expõe as principais preocupações e apela à revisão das medidas propostas"."O SPE/FENPROF não se conforma, nem se conformará, com a proposta de revisão do regime jurídico do EPE, por considerar que a mesma não salvaguarda adequadamente os direitos e as legítimas expectativas dos docentes", frisaram os sindicatos em comunicado enviado à Lusa.O processo negocial do novo regime tem previstas três reuniões: 15 e 29 de Junho e 13 de Julho.
Professores de português no estrangeiro contra novo regime que aumenta precariedade
Membros da rede de ensino português no estrangeiro alegam que as alterações têm efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento colectivo de profissionais altamente qualificados.







