Por cautela, vacinação contra dengue foi interrompida depois de 42 casos adversos em mais de 500 mil Produção da vacina do Butantan contra a dengue — Foto: Divulgação / Instituto Butantan É sensata a decisão do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que suspendeu temporariamente a aplicação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan contra a dengue, depois do registro de 42 casos de reações adversas inesperadas — três deles graves, com dois resultando em morte. A medida traduz ao mesmo tempo a cautela necessária diante dos fatos e a solidez das salvaguardas científicas que cercam o programa de vacinação. Foram aplicadas desde janeiro até o fim de maio 501.044 doses da vacina, sobretudo em testes-piloto nas populações de 15 a 59 anos de Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). A partir de fevereiro, começaram a ser imunizados profissionais da atenção primária e, em março, os testes se estenderam à região de Araguaína, no Tocantins. Dos mais de 500 mil vacinados, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) registrou 3.703 casos de reações semelhantes aos sintomas da dengue e, desses, 42 apresentaram “sinais de alarme”, como dores abdominais, vômitos ou sangramentos. Ao todo, três desses casos foram considerados graves, e dois desses pacientes infelizmente morreram. As autoridades decidiram, por cautela, suspender a vacinação para investigar até que ponto os efeitos adversos podem ser atribuídos à vacina ou a outros fatores. Não há nenhum motivo para temor entre aqueles que foram vacinados, muito menos para questionar os testes que corroboraram a eficácia da vacina. Realizados com quase 11 mil voluntários, os ensaios de fase três, publicados na revista científica Nature Medicine, demonstraram que a dose única reduz em mais de 80% o risco de casos graves ao longo de cinco anos. “Numa situação de vida real, em que vacinamos um número muito maior de pessoas, eventos raros que não foram observados nos estudos clínicos podem aparecer”, afirmou Eder Gatti, diretor do PNI. A vacinação continua a ser uma das principais armas de combate à dengue. Depois de alcançar o recorde de quase 6,5 milhões de casos e perto de 6 mil mortes em 2024, a doença arrefeceu no ano passado, voltando à faixa de 1,6 milhão de casos e menos de 2 mil mortes. Ainda que parte pequena desse resultado possa ser atribuída à vacinação, é esperado que a ampliação da imunização surta efeito maior. Além da vacina do Butantan, o PNI continua a oferecer a Qdenga, vacina da japonesa Takeda recomendada para crianças e adolescentes, sem registro de maiores problemas. O episódio com a vacina do Butantan em nada desmente a segurança das vacinas. Ao contrário, contribui para reforçar a confiança nas autoridades que comandam o PNI e nos critérios científicos que embasam suas decisões. É esperado que, uma vez esclarecidas as causas dos efeitos adversos, elas saberão adotar o rumo adequado, seja mantendo a suspensão, seja retomando a vacinação ou impondo restrições a determinados grupos.
Suspensão da vacina do Butantan reflete sensatez das autoridades
Por cautela, vacinação contra dengue foi interrompida depois de 42 casos adversos em mais de 500 mil












