Há seis anos, a Covid-19 ensinou ao mundo que o surto de uma nova doença em um lugar remoto do planeta não fica ali restrito por muito tempo. Eis que agora explode uma epidemia de ebola, que apesar de não ser uma doença nova é causada por uma cepa para a qual não há vacina nem tratamento específicos.

A situação é ainda mais desafiadora, pois acontece em uma região de difícil acesso na República Democrática do Congo (RDC), perdida em meio à exploração predatória de ouro e a devastadores conflitos armados. O rápido avanço do número de casos levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar um de seus mais altos níveis de alerta. Até o momento em que escrevo, as estatísticas oficiais registram 515 casos e 91 mortes na RDC. Em Uganda, país vizinho, há 19 casos e duas mortes. A própria OMS reconheceu que apenas 45% dos suspeitos identificados estão sendo monitorados adequadamente, metade do que é desejável. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a resposta continua atrasada e que as autoridades sanitárias estão "correndo atrás".

Mesmo guardadas as devidas proporções, por que parece estar acontecendo um lapso de memória coletiva em relação ao que vivemos com a Covid-19?