O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, disse nesta terça-feira (9) que a Lei Antifacção é mais importante no combate ao crime organizado no Brasil do que a decisão do governo dos Estados Unidos em classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas globais. “O parlamento brasileiro já produziu a Lei Antifacção, que é mais importante [no combate]. Então nós temos sim a ferramenta e temos que colaborar, sofisticar e [nos] dedicarmos enquanto Estado e sociedade no aperfeiçoamento das modalidades de cooperação, desde que não haja ranhura à nossa soberania”, afirmou. A declaração foi dada durante audiência conjunta nas comissões de Comunicação e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Para Lima e Silva, a visão dos Estados Unidos de classificar as facções como terroristas não interessa à população brasileira, mas sim adotar medidas para combater a criminalidade. “Eu acho que há um consenso na sociedade brasileira que é combater, com muita efetividade, o crime organizado, mas o que parece é que a população brasileira de fato não se interessa pelo nominalismo, pela tecnicalidade”, argumentou. O comunicado da classificação das facções como terroristas foi feito pelo Departamento de Estado dos EUA no mês passado e entrou em vigor no dia 5 de junho. A classificação já era estudada pelo presidente Donald Trump e o governo brasileiro vê a iniciativa com ressalvas por temer que isso abra espaço para interferência americana em território brasileiro e para aplicações de sanções econômicas. Durante a audiência nesta terça, o ministro da Justiça também foi questionado sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido por “Sicário” e ligado a Daniel Vorcaro — ex-banqueiro investigado por fraudes no Banco Master. Segundo o ministro, não houve dúvida sobre o suicídio. "[Não houve] a menor dúvida sobre a natureza do evento [suicídio]. Estaria documentado pericialmente não só por um vídeo, que ilustraria a situação, como por perícias. Eu não assisti ao vídeo, mas oficiais que assistiram ao vídeo disseram que era inequívoco e que a prova pericial é categórica, robusta", apontou. Ao ser indagado por que não assistiu ao vídeo, ele acrescentou que Polícia Federal (PF) apurou o caso "com todo rigor". Mourão foi um dos presos na terceira fase da Operação Compliance Zero, em março deste ano. Ele foi encontrado desacordado na cela em que estava na Superintendência da PF em Minas Gerais e encaminhado a um hospital, onde teve a morte confirmada dias depois. O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva — Foto: Isaac Amorim/MJSP