Mecanismos e agentes com uso de “superinteligência artificial” precisam de regulamentação e verificação internacionais, “de forma urgente”, para prevenir desenvolvimento descontrolado. O alerta partiu de Connor Leahy, diretor da ControlAI US. A entidade é organização sem fins lucrativos focada em prevenir os riscos existenciais da superinteligência artificial. O especialista afirmou que, em seu entendimento, o risco de desenvolvimento descontrolado de tal tecnologia pode levar o mundo a situações de grave risco, equivalentes ao observado em ambientes de guerra nuclear e de pandemias. Superinteligência Artificial (ASI) é conceito teórico que descreve sistema de inteligência artificial cujas capacidades cognitivas superam amplamente as do cérebro de um ser humano, em praticamente todos os aspectos, com potencial de realizar tarefas que envolvam criatividade, sabedoria, resolução de problemas e tomada de decisões. “Na minha visão, se construirmos um sistema que seja infinitamente mais inteligente do que a humanidade, do que os seres humanos, que não saibamos como controlar, que não tenha os nossos melhores interesses em mente, então, ‘acabou o jogo’ [game over]”, afirmou. “Portanto, nossa principal posição política deve ser a de não nos envolvermos nessa situação”, concluiu. Ele comentou sobre anúncio sobre o assunto, na semana passada, da empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic. A companhia, criadora da IA Claude, propôs pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes. A justificativa da empresa foi de que há sinais de que os modelos mais recentes poderiam escapar do controle humano. “É muito importante entender que nem mesmo nossos maiores cientistas compreendem como nossos sistemas de IA funcionam atualmente”, disse ao responder pergunta sobre anúncio da empresa. Um aspecto delineado pelo diretor nesse tema é o uso de tal aparato poderia ter em, por exemplo, conflitos bélicos. “Do ponto de vista puramente teórico, não é do interesse de ninguém construir um sistema que possa ameaçar sua própria segurança e soberania nacional”, disse. O especialista defendeu maior debate entre países sobre o tema, principalmente das nações com maior poderio econômico e militar, como China e Estados Unidos, por exemplo. “É necessário construir meios diplomáticos e técnicos para verificar se uma nova nação está construindo ou tentando construir sistemas superinteligentes, tanto por meio de legislação nacional que proíba o desenvolvimento quanto a intenção de desenvolvimento de superinteligência em nível nacional, tanto nos EUA quanto na China, quanto por meio de um acordo internacional para inspeção mútua de grandes exercícios de treinamento e outros sistemas estrangeiros semelhantes, a fim de evitar tal deficiência”, completou. “Reduzir esse risco [de uma ‘superinteligência artificial’] deve ser uma prioridade global, juntamente com outros riscos localizados, como pandemias e guerra nuclear” resumiu. O especialista participou de coletiva de imprensa sobre o tema durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo, que vai até 12 de junho. — Foto: Rahul Pandit/Pexels