O Tribunal de Contas (TdC) considerou que o plano de saúde Lisboa 65+, apresentado pela câmara em 2022, não acrescentou valor face às respostas já existentes, demonstrando-se "redundante e ineficiente", tendo a sua utilização ficado aquém da capacidade anunciada.No relatório de auditoria ao plano de saúde Lisboa 65+, a que a Lusa teve hoje acesso, o TdC conclui que a medida "não gerou um valor acrescentado relevante face às respostas já existentes, designadamente, no que respeita à articulação com a SCML [Santa Casa da Misericórdia de Lisboa] e à alegada complementaridade com o SNS [Serviço Nacional de Saúde", evidenciando "ser uma actuação redundante e ineficiente".Adicionalmente, o TdC levantou "reservas sérias" quanto à eficiência da medida, dado que "uma parcela muito expressiva dos recursos mobilizados foi absorvida por componentes instrumentais ou por capacidade contratada que não se traduziu, em escala proporcional, em cuidados de saúde efectivamente prestados", apontando ainda que os resultados observados mostram que "a utilização efectiva das valências do Lisboa 65+ ficou aquém da capacidade disponibilizada e da escala de cobertura publicamente anunciada".O Lisboa 65+ foi apresentado publicamente pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, em 20 de Outubro de 2022, nos Paços dos Concelho, como um marco do mandato autárquico 2021-2025 que permitiria aos lisboetas com 65 ou mais anos, em complementaridade com o SNS, usufruir gratuitamente de serviços médicos 24 horas por dia, além de outras valências.A auditoria do TdC concluiu que, dos cerca de 130 mil munícipes potencialmente abrangidos, inscreveram-se 15.293, o que corresponde a cerca de 12% do total, tendo a execução financeira ficado em 21% nas teleconsultas, assistência médica ao domicílio e transporte em ambulância, 11% nos cuidados dentários e 5% na oftalmologia.O transporte em ambulância para hospital não registou mesmo qualquer utilização, aponta o relatório.