Lapid se retirou do Festival Internacional de Cinema FID em Marselha devido a protestos de outros cineastas que o acusavam de ter recebido financiamento público israelense Cineasta israelense Nadav Lapid posa para um retrato em Beverly Hills, Califórnia, em 30 de março de 2026 — Foto: AFP Um grupo de artistas, incluindo o diretor francês vencedor do Oscar Michel Hazanavicius e a atriz americana Natalie Portman, denunciou nesta terça-feira como um "fracasso intelectual" o boicote que obrigou o diretor israelense Nadav Lapid, exilado na França, a cancelar sua participação em um festival em Marselha. "O fato de o maior artista dissidente israelense, que trabalha incansavelmente para denunciar as tendências fascistas e colonialistas de seu governo, suas falhas morais criminosas, em filmes premiados no mundo todo, ser forçado a se retirar de um festival francês deveria nos alarmar e nos mobilizar para além dessa aberração", escreveu o grupo de artistas, que também conta com os cineastas franceses Justine Triet e Jacques Audiard, ambos vencedores da Palma de Ouro em Cannes, no jornal Le Monde. "O boicote cultural contra Nadav Lapid é um fracasso intelectual. Cineastas russos, israelenses e iranianos não podem ser ameaçados de desaparecimento para expiar crimes cometidos por governos que eles frequentemente criticam veementemente", acrescenta o texto. Na segunda-feira, outro artigo de opinião assinado por 350 profissionais da cultura, incluindo o diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul (vencedor da Palma de Ouro em 2010) e o escritor palestino Elias Sanbar, já criticava o boicote contra o diretor de "Yes", um filme virulento que critica a sociedade israelense após o 7 de outubro. Lapid, alegando "pressão", retirou-se do Festival Internacional de Cinema FID em Marselha, no sul da França, devido a protestos de cineastas que exibiriam seus filmes e que o acusavam de ter recebido financiamento público israelense. O diretor israelense, que vive na França há cinco anos, denunciou o boicote como "cruel e violento", em declarações à AFP. "Quaisquer que sejam os crimes que seu Estado tenha cometido, ninguém pode ser reduzido a um passaporte", declarou o grupo em seu texto publicado na terça-feira. Em uma mensagem publicada no Instagram, 12 cineastas que haviam convocado o boicote a Lapid justificaram sua iniciativa citando o desejo de "agir contra uma realidade colonial e genocida aprovada" e denunciaram "a insistência" dos festivais em "criar uma simetria (...) entre produções palestinas e israelenses".
Cineastas chamam boicote ao diretor israelense Nadav Lapid na França de 'fracasso intelectual'
Lapid se retirou do Festival Internacional de Cinema FID em Marselha devido a protestos de outros cineastas que o acusavam de ter recebido financiamento público israelense










