O árbitro da Copa do Mundo da Somália que teve sua entrada negada nos Estados Unidos ao chegar a Miami e posteriormente foi retirado do torneio pela Fifa estava prestes a fazer história para seu país. Omar Artan seria o primeiro árbitro somali a atuar em uma Copa do Mundo após integrar a lista final de árbitros da Fifa para o torneio, anunciada há dois meses. Ele é considerado um dos principais árbitros da África e foi eleito o melhor árbitro masculino do continente em 2025. Artan teve sua entrada negada no Aeroporto Internacional de Miami no sábado por “preocupações relacionadas à triagem de segurança”, informou a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), sem detalhar quais seriam essas preocupações. Segundo a Embaixada da Somália no Quênia, responsável pelo processo, ele havia recebido visto para viajar aos EUA na semana passada. A decisão de impedir a entrada de um oficial de arbitragem nomeado pela Fifa para atuar em uma Copa do Mundo é altamente incomum. Artan deveria se juntar aos demais árbitros do torneio em um centro de treinamento em Miami. O Ministério da Juventude e Esportes da Somália informou nesta terça-feira que ainda não recebeu explicações sobre o motivo da recusa e que a embaixada do país nos EUA está realizando esforços diplomáticos para tentar reverter a situação e permitir que Artan participe da competição, que começa na quinta-feira. A Somália foi um dos países submetidos às novas restrições de viagem impostas no ano passado pelo governo Donald Trump no contexto de sua política de endurecimento da imigração. A medida gerou preocupações de que torcedores, atletas e autoridades de países afetados — a maioria deles africanos — pudessem ser impedidos de entrar nos Estados Unidos para a Copa, mesmo portando vistos válidos. “Quando a Alfândega afirmou que Omar Artan foi considerado inadmissível por questões de triagem sem especificar o motivo, isso pode estar relacionado a essas medidas mais amplas de controle, e não a qualquer acusação específica contra ele”, disse à Associated Press Isse Aden Abshir, assessor sênior do Ministério dos Esportes da Somália e ex-capitão da seleção nacional. Operários cobrem uma placa do Kansas City Chiefs para a Copa do Mundo da FIFA de 2026 enquanto as obras continuam para transformar o Arrowhead Stadium em Kansas City Stadium, em preparação para o torneio de futebol da Copa do Mundo da FIFA, na segunda-feira, 8 de junho de 2026, em Kansas City, Missouri — Foto: AP/Charlie Riedel Submetido a inspeção adicional “Durante o processo de entrada, o viajante passou por uma inspeção adicional, uma parte rotineira dos procedimentos da CBP quando os agentes precisam verificar informações ou determinar a admissibilidade”, afirmou a agência em comunicado divulgado na segunda-feira. “Após a inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da Fifa, foi considerado inadmissível devido a preocupações relacionadas à triagem e teve sua entrada negada.” A CBP não citou Artan nominalmente e referiu-se apenas a um cidadão somali que atua como árbitro da Copa. Artan é o único árbitro somali selecionado para o torneio. A agência destacou que todos os viajantes que buscam entrar nos Estados Unidos — incluindo jogadores, treinadores e membros de delegações da Copa do Mundo — estão sujeitos a inspeções e verificações de segurança. “As decisões sobre admissibilidade são tomadas caso a caso com base em informações de segurança nacional, aplicação da lei e imigração disponíveis no momento da inspeção”, afirmou o comunicado. “Os agentes da CBP têm autoridade para questionar viajantes, realizar inspeções e determinar a admissibilidade de acordo com a legislação dos EUA.” Fifa retira árbitro da Copa A Fifa informou que não participa dos processos migratórios e que foi comunicada pelas autoridades americanas de que a situação de Artan “não será alterada neste momento”. A entidade concluiu que o árbitro não poderá participar dos treinamentos nem atuar nos jogos do Mundial. “Como em eventos anteriores da Fifa, cabe ao governo anfitrião decidir quem recebe visto e quem é admitido em seu território”, afirmou a entidade. Ainda assim, a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, construíram uma relação próxima com o governo Trump durante os preparativos para a Copa do Mundo sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, destacando publicamente que essa cooperação ajudaria a garantir o bom andamento do torneio. Infantino não comentou imediatamente o caso. A Fifa divulgou apenas uma declaração de Artan. “Apesar das circunstâncias, estou de bom humor e concentrado nos próximos desafios da minha carreira como árbitro”, afirmou. “Gostaria de agradecer à Fifa e à Confederação Africana de Futebol por todo o apoio e prometo continuar mantendo meu nível de arbitragem enquanto me concentro no futuro.” “Quero agradecer à família do futebol pelas mensagens e desejar aos meus colegas muito sucesso durante a Copa do Mundo. Espero reencontrá-los em futuras competições.” O presidente da FIFA, Gianni Infantino, faz comentários durante a cerimônia de inauguração do Centro Internacional de Transmissão na segunda-feira, 1º de junho de 2026, em Dallas — Foto: AP/Tony Gutierrez Um marco para a Somália Artan é considerado um dos melhores árbitros da África e apitou, no mês passado, a partida decisiva da final da Liga dos Campeões da África, a principal competição de clubes do continente. Em entrevista recente à rede Al Jazeera, ele falou sobre a honra de ter sido escolhido para se tornar o primeiro somali a arbitrar uma Copa do Mundo e relatou os desafios enfrentados em seu país, marcado por conflitos. Segundo ele, às vezes precisava mudar o trajeto para os treinamentos devido a explosões nas ruas de Mogadíscio. “Você não pode desistir como árbitro”, disse Artan na entrevista. “Estar na Copa do Mundo era meu grande, grande objetivo, e eu estava realmente muito animado.”
Árbitro da Somália barrado nos EUA e cortado da Copa estava prestes a fazer história por seu país
Omar Artan seria o primeiro somali a atuar na arbitragem do campeonato mundial após integrar a lista final de árbitros da Fifa para o torneio, anunciada há dois meses










