Se fosse um autor de ficção, o jornalista Andrew Ross Sorkin poderia anunciar "1929: Por Dentro da Maior Crise da História de Wall Street - E como Ela Abalou o Mundo", livro que acaba de ser lançado no Brasil, como uma "prequel" de seu best-seller "Too Big to Fail", sobre a crise financeira de 2008.

As duas crises —a da quebra da Bolsa em 1929 e a do subprime, 80 anos depois— estão ligadas de muitas formas. É difícil entender uma sem fazer referência à outra.

À primeira delas se seguiu a Grande Depressão. No outro caso, o pior foi evitado —em boa medida pelo que tinha sido aprendido com a experiência de má gestão da política econômica na década de 1930.

Pode dar a impressão, portanto, de que aprendemos como reagir. De que, embora crises financeiras sejam talvez inevitáveis, suas consequências serão agora contidas. Não é o que pensa Sorkin, colunista do jornal The New York Times e um dos mais influentes repórteres de finanças da atualidade. "Fico um pouco preocupado de a gente achar que agora sabe qual é a receita a seguir."

Na próxima crise, adverte, pode ser que as soluções de meados da década de 1930 e de 2008 —em particular, o recurso aos gastos estatais— não funcionem tão bem quanto antes. Para entender o motivo, é preciso conhecer a história, ou melhor, as histórias contadas por Sorkin.