Obra também cita falta de vetos de Jair Bolsonaro e cita que 'encrencas do filho' não eram justificativa Flávio Bolsonaro filia Sergio Moro ao PL — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo No mesmo palanque no Paraná, Sergio Moro e Flávio Bolsonaro se uniram para as eleições deste ano. Mas nem sempre estiveram alinhados, como mostra o livro “Contra o Sistema da Corrupção”, publicado pelo ex-juiz da Lava Jato no final de 2021. Na obra, Moro critica uma decisão liminar de Dias Toffoli que suspendeu investigações instauradas com base em relatórios de operações financeiras recebidos do Coaf sem que houvesse aval judicial para quebra de sigilo bancário. Entre os casos afetados, estava o inquérito que apurava suposta “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj. Em seu livro, Moro classificou a decisão favorável ao Zero Um e a Fabrício Queiroz como “temerária para o país”. O ex-juiz afirmou que a decisão ia na contramão do modelo internacional e acabava com o sistema de prevenção à lavagem de dinheiro no país. Em suas palavras, o Brasil “corria o risco de se transformar em um paraíso da lavagem de dinheiro”. Escreve Moro: “O que não se poderia admitir era a destruição do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro com o propósito de salvar da lei o filho de alguém, mesmo sendo ele o filho do Presidente da República”. Tais declarações inclusive serão exploradas por rivais no Paraná, entre eles Requião Filho (PDT), pré-candidato ao governo. Moro também revela que optou por não falar publicamente sobre o caso, mas, dentro do governo, demonstrou sua preocupação — na época, o ex-juiz era ministro da Justiça. Isso, segundo ele, gerou um “desgaste” com Jair Bolsonaro. Em uma conversa entre os dois, Moro foi orientado a se manter distante da questão. “Se não vai ajudar, então não atrapalhe”, disse o então presidente, de acordo com o relato. No livro, Moro se desvencilha do episódio das “rachadinhas”. Frisa que, quando recebeu o convite ao ministério, ainda não haviam surgido notícias sobre Queiroz e as suspeitas de “rachadinha”. O senador também reconhece, na obra, que era “controverso” ele participar de um governo cujo presidente colecionava dezenas de declarações preconceituosas, agressivas e autoritárias. Mas justifica que avaliara que, na campanha eleitoral, Bolsonaro havia moderado o tom. O livro expõe ainda o recuo de Bolsonaro em relação à transferência de lideranças do PCC a presídios federais. Conta que, a poucos dias da operação Imperium, foi surpreendido com uma mensagem do então presidente sugerindo que as transferências fossem canceladas, por receio de possíveis retaliações do crime organizado, o que poderia eventualmente resultar até num processo de impeachment. Na obra, Moro expõe ainda as cobranças pela falta de vetos de Bolsonaro a medidas que enfraqueciam o combatem ao crime e afirma que “as encrencas do filho ndele com a Justiça não eram justificativas” para tal. Acrescentou: “Um estadista, um homem público, tem o compromisso de dirigir o país pensando no bem-estar geral e não em proteger o filho ou a família da ação da lei e da Justiça”.
Em livro, Moro critica decisão que beneficiou Flávio em caso de 'rachadinha': 'Temerária'
Obra também cita falta de vetos de Jair Bolsonaro e cita que 'encrencas do filho' não eram justificativa









