Na era do acúmulo, nostalgia vira ouro, como apontam profissionais da comunicação e do setor audiovisual em palestras no Rio2C Pedro Novaes e Carolina Dieckmann no set de 'A viagem': folhetim de sucesso é transformado em filme — Foto: Estevam Avellar/Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 17:22 Nostalgia como Estratégia: Remakes Dominam Era de Conteúdo Abundante Na era do excesso de conteúdo, remakes e revivals de novelas e filmes emergem como "atalhos emocionais" para o público, explorando a nostalgia como estratégia valiosa, conforme discutido no evento Rio2C. Com a oferta de entretenimento crescendo exponencialmente, essas produções oferecem familiaridade em meio à avalanche de novas opções, criando uma ligação emocional sem necessariamente reviver o passado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Que atire o primeiro celular quem não se sentiu em débito nas últimas 24 horas. Basta rolar o feed de qualquer rede social para lembrar de séries e filmes do momento que ainda não foram vistos, de livros não lidos, de viagens por fazer... A sensação imediata é a culpa — e, em modo automático, a lista de desejos e tarefas só vai aumentando infinitamente. Até que se chega, enfim, a um grande vazio. E nada é realizado. Eis o ciclo sem fim dos “acumuladores de conteúdo”, categoria que parece definir toda e qualquer pessoa no tempo presente. Os dilemas dessa era de abundância permanente — e as possíveis formas de escapar de tais armadilhas — foram tema de debate no Rio2C. Em vez de discutir a qualidade do que se consome hoje, os participantes voltaram a atenção para uma questão mais fundamental: afinal, o que acontece quando a oferta de informação, entretenimento e conhecimento cresce num ritmo muito superior à capacidade de absorvê-los? — Estamos passando por um momento muito específico da humanidade tanto na produção quanto no consumo, mas, acima de tudo, no acesso aos conteúdos. É como se estivéssemos num interminável fim de semana com os avós — compara o jornalista e comunicador Chico Barney. — Há sempre um open bar de oportunidades ao nosso alcance. Até 20 anos atrás, havia pessoas e empresas que faziam uma curadoria para nós, de um jeito mais direto. Hoje, essa seleção é moldada por tecnologia. Se você gosta de cheeseburger, terá todo tipo de cheeseburger até morrer. É assim que funciona o algoritmo, para ninguém nunca deixar de se deliciar com o seu cheeseburger ou seja lá o que for. Caminhos mais curtos Se a escassez de opções marcou boa parte do século passado, o problema contemporâneo é justamente o oposto. Em meio à avalanche de lançamentos, estímulos e disputas pela atenção, cresce a busca por referências familiares. 'Quem ama cuida': Veja quem é quem na nova novela das 21h da TV Globo 1 de 15 Adriana (Letícia Colin) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 2 de 15 Arthur (Antônio Fagundes) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Pedro (Chay Suede) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 4 de 15 Otoniel (Tony Ramos) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 5 de 15 Ulisses (Alexandre Borges) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 6 de 15 Ingrid (Agatha Moreira) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 7 de 15 Fábia (Flávia Alessandra) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 8 de 15 Ademir (Dan Stulbach) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 9 de 15 Rafael (João Vitor Silva) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 10 de 15 Elisa (Isabela Garcia) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 11 de 15 Bruna (Nanda Marques) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 12 de 15 Silvana (Belize Pombal) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 13 de 15 Brigitte (Tata Werneck), Ingrid (Agatha Moreira) , Mau Mau (João Victor Gonçalves) e Pilar (Isabel Teixeira) — Foto: Manoella Mello / TV Globo 14 de 15 Ademir (Dan Stulbach) e Eudora (Mariana Ximenes) — Foto: Manoella Mello / TV Globo X de 15 Publicidade 15 de 15 André (Henrique Barreira) — Foto: Manoella Mello / TV Globo Trama é assinada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto Nesse contexto turbulento, remakes, reedições, continuações e revivals ganham força não apenas por razões comerciais, mas também por funcionarem como “atalhos emocionais”. A definição vem de Beatriz Carvalho, diretora de desenvolvimento e produção de ficção da Floresta, produtora da Sony Pictures, que participou de uma mesa sobre o tema no Rio2C. Títulos recentes mostram, não à toa, a força da nostalgia com o público. Alguns exemplos são a novela “Vale tudo” (2025), recriação de Manuela Dias para a TV Globo; a versão brasileira de “Quarto do pânico” (2025), com Isis Valverde, para o suspense homônimo de David Fincher, de 2002; a reedição de “Dona Beja” (2026), com Grazi Massafera, na HBO Max; a transformação do folhetim “A viagem” (1994) num longa-metragem inédito em produção pelos Estúdios Globo; a série inspirada na franquia “Harry Potter”, que começa a ser rodada pela HBO Max neste mês... E por aí vai. — Nostalgia tem mais a ver com o resgate de um sentimento do que com uma volta ao passado — analisa Beatriz. — De fato, esta é uma grande tendência. Num mundo de aceleração constante e imenso consumo de conteúdo, trabalhar com propriedades intelectuais que já existem dá ao público um atalho emocional. A força de tais produções, no entanto, não está necessariamente na promessa de reviver tempos passados. Ao contrário. O fenômeno parece apontar para algo mais complexo: uma conversa permanente entre épocas distintas. — Qualquer releitura de uma novela ou filme sempre traz elementos atuais, mas posiciona o espectador num lugar específico, familiar — afirma o cineasta Maurílio Martins, da produtora Filmes de Plástico. — Toda inovação produz uma ausência. Por isso, sempre olharemos para trás. Veja o caso dos vinis: estão produzindo discos a rodo agora.
Nova onda de remakes de novelas e filmes cria 'atalhos emocionais' para o público em meio a excesso de conteúdo
Na era do acúmulo, nostalgia vira ouro, como apontam profissionais da comunicação e do setor audiovisual em palestras no Rio2C






