A primeira impressão que Cameron Winter deixa não é a de um astro do rock. É mais a de um garoto que caiu numa entrevista por acidente. Não há nada de Mick Jagger ali —há mais moletons do que jaquetas de couro.

Ele fala baixo, evita contato visual, parece mastigar as respostas antes de as soltar em frases curtas e murmuradas. Às vezes, ri sozinho. Noutras, devolve um "não sei" e deixa o silêncio crescer. Há algo de brincadeira permanente na maneira como responde —mas nunca fica claro se é um menino tímido, um personagem ou uma grande piada.

No C6 Fest, em São Paulo, o americano se apresentou sozinho no Auditório Ibirapuera, no final de maio. Sem banda, o cantor de 24 anos levou a apresentação apenas com um piano e um feixe de luz que criava mais sombra do que o iluminava. Foram raros os momentos em que o rosto dele ficou visível.

A sensação era a de assistir a alguém tocando no próprio quarto, dado que o auditório estava em completo silêncio —exceto pelas fungadas de choro vindas da plateia. Winter se dirigiu a ela só uma vez, com um "obrigado" dito ao fim da apresentação.

Esse desinteresse pela própria imagem parece ser o ingrediente principal do fascínio em torno do menino que foi comparado a Bob Dylan e Leonard Cohen e que encantou Patti Smith, que disse, de repente, ter se sentido otimista com a cena atual da música.