Presente em sete aeroportos de seis capitais das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, o Grupo 3T Brasil planeja expandir operação no segmento aeroportuário em mais três cidades até o fim de 2027. Humberto Munhoz, sócio do Grupo 3T Brasil, prefere manter segredo sobre a localização dos aeroportos onde serão inaugurados os restaurantes. “Estamos negociando com três aeroportos ao mesmo tempo, não tenho como afirmar qual avançará primeiro”, diz Munhoz. Até 2030, a meta do grupo é chegar ao faturamento anual de R$ 300 milhões, com 60 operações e presença em 12 aeroportos brasileiros. Munhoz diz que o grupo trabalha com três núcleos de negócios, e os bares e restaurantes em aeroportos representam dois terços do faturamento e 85% da última linha _ que é sinônimo do volume financeiro dos negócios depois de retirar todos as despesas, impostos e taxas. Os negócios de rua significam 25% do faturamento, e o núcleo que abrange o fornecimento de alimentos e bebidas em escritórios representam 10%. Porém, Munhoz ressalta que o grupo enxerga neste momento mais oportunidades de expansão nos negócios ligados ao ambiente corporativo. O grupo começou a atuar nesse segmento há cerca de sete anos, mas a consolidação aconteceu nos últimos três anos. O modelo de negócio do grupo, segundo Munhoz, foca agora na expansão dos núcleos de escritórios e aeroportos. Hoje o Grupo 3T Brasil faz a gestão de alimentos e bebidas em dois complexos de escritórios do Banco Itaú, em São Paulo, onde atende cerca de três mil pessoas diariamente. Atualmente o grupo mantém conversas com empresas de segmentos variados para oferecer o mesmo tipo de serviço. “É um pilar que está crescendo cada vez mais. Nos dois grandes escritórios do Banco Itaú aqui em São Paulo, atendemos lanchonete, restaurante e coffee breaks, além de carrinhos que andam no andar do escritório vendendo snacks à tarde. Consolidamos esse negócio mesmo entre 2023 e 2024. No ano passado, vimos que realmente era um negócio bom para o grupo e decidimos expandir este ano”, afirma Munhoz. Fundado em 2017, o Grupo 3T Brasil iniciou sua operação com bares e restaurantes de rua, e entrou no segmento aeroportuário no primeiro ano da empresa. O ponto de partida para conquistar espaço em aeroportos foi a inauguração da marca A Saideira no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (RIOgaleão - Aeroporto Internacional Tom Jobim). “Levamos para o aeroporto o mesmo conceito da marca nos negócios de rua, atendimento com acolhimento em um ambiente com gastronomia democrática. O cardápio tem hamburger, pizza, saladas, snacks, opções vegetarianas e pratos com comida de verdade”, detalha o sócio do Grupo 3T Brasil. Mesmo sem revelar o destino das próximas inaugurações em aeroportos, Munhoz não esconde o interesse na região Nordeste, onde crescem as operações internacionais, que recebem muitos voos da Europa. Embora o grupo concentre sua expansão nos escritórios e aeroportos, Munhoz diz que o grupo continua atento a oportunidades nos negócios de rua, sobretudo em Belo Horizonte, em Minas Gerais, e na região Centro-Oeste. Desafios da operação para não engolir a margem Empreendedor no ramo de alimentação e bebidas há quase duas décadas, Munhoz diz que o maior desafio do setor no Brasil é a gestão, que ele considera muito empírica na maioria dos casos. Para o empresário, a maioria dos donos de bares e restaurantes olha mais para a entrega, a comida e a bebida que chega às mesas, e acaba deixando a gestão em segundo plano. “Os restaurantes quebram não necessariamente por falta de faturamento ou pela comida ser ruim. Eles quebram por falta de gestão. Na prática, isso significa amadorismo na precificação, não saber a composição do imposto no preço, e falta de entendimento de regras tributárias e trabalhistas”, afirma. Com os impactos da reforma tributária no próximo ano e o fim da escala 6X1, Munhoz não vê com otimismo a gestão de bares e restaurantes que não tenham atenção às questões tributárias e trabalhistas. “Levantamos essa bandeira há muito tempo no nosso segmento”, diz o empresário que passou parte da sua trajetória profissional no ambiente corporativo. “Na sociedade, trouxemos a nossa experiência em multinacionais para implantar a cultura de valorizar controles, com governança e gestão, que é nosso diferencial”, afirma. Outro desafio do setor no Brasil destacado por Munhoz é a mão de obra. O empresário observa que está cada vez mais difícil encontrar pessoas que queiram construir carreira no segmento de bares e restaurantes. Para o empreendedor, o investimento em mão de obra é crucial, por impactar diretamente o nível da experiência que pode ser oferecida a clientes. “A experiência não é a comida e a bebida, mas todo o pacote de hospitalidade, desde o manobrista que pega o carro do cliente com cuidado, a mesa bem posta e limpa, o atendimento com sorriso no rosto e a sugestão de um produto. O cliente que sair do restaurante aprendendo algo sobre o prato”, observa. Proprietário das marcas O Pasquim Bar e Prosa, A Saideira, Crave Meat, Empanadas y Tal, Juice da Orla, A Ventana e Saladaria Mix, o Grupo 3T Brasil mantém 34 operações distribuídas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Atualmente a operação do grupo mantém 550 empregos diretos.
Grupo 3T Brasil, de bares e restaurantes, mira expansão em aeroportos e escritórios corporativos
Com previsão de faturar R$ 170 milhões em 2026, negócio investe em gestão e governança para aumentar margem e dobrar receita até 2030














