O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, elogiou a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e criticou a reação contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à medida durante encontro com uma plateia majoritariamente feminina, nesta segunda-feira (8), em São Paulo. Ele também usou o evento para atacar "canetadas" do Supremo Tribunal Federal (STF). Convidado pelo Grupo Voto, o senador estava acompanhado da mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro, ao participar de um seminário chamado "Brasil de Ideias", no Tangará, hotel de luxo na zona sul. Segundo a organização, cerca de 200 mulheres, entre empresárias e profissionais de outras áreas, estavam na plateia. Em sua estratégia de se aproximar do eleitorado feminino, Flávio indicou o desejo de ter uma vice mulher. Ao falar sobre o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, o presidenciável disse que o governo brasileiro deveria "agradecer" ao presidente Donald Trump pela medida, em vez de se posicionar contra ela, sob a alegação de que representa risco à soberania nacional. O anúncio do presidente americano foi feito dias após a visita de Flávio a ele na Casa Branca. "A partir do momento que o governo americano classifica essas organizações como terroristas, ao invés de o governo brasileiro agradecer e fazer um grande pacto de combate à lavagem de dinheiro desses grupos, não, ele vai para a narrativa de que está defendendo a soberania", afirmou. Ao defender a ideia de que o Brasil deveria aproveitar a oportunidade para propor uma força-tarefa interna para "verificar quais são as empresas que lavam [dinheiro] para as facções de narcoterrorismo", Flávio voltou a apostar no argumento de que o atual presidente seria condescendente com o crime organizado. "Aí você olha para o presidente do Brasil e ele pensa o contrário, parece que ele é o chefe do PCC", afirmou. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre a declaração. Ao apresentar suas propostas para a segurança pública, que incluem a aprovação da redução da maioridade penal, Flávio cobrou o apoio do Congresso Nacional e disse que o STF tem contribuído para a "insegurança jurídica" quando invalida decisões políticas. "Precisamos de deputados e senadores que sejam favoráveis a essas pautas. Precisamos de senadores que possam voltar a dar segurança jurídica nesse Brasil, porque não pode mais um ministro do Supremo dar uma canetada e impedir uma ferrovia de ser construída. O Congresso revoga o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] e, numa canetada, um ministro do Supremo vai lá e diz que o IOF tem que ser cobrado. Quer dizer, como é que você consegue fazer mudanças importantes estruturais no país com esse tipo de insegurança jurídica?", afirmou. Em aceno ao eleitorado feminino, o presidenciável disse que pretende escolher uma mulher para compor a chapa, mas não citou nomes. Entre as opções especuladas, estão a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. "O que eu posso falar é que o perfil é de alguém que complemente a nossa chapa, uma pessoa preparada. De preferência, uma mulher", afirmou. Ele também sugeriu que pode convidar uma mulher para comandar a Fazenda, caso seja eleito, mas não quis discutir nomes alegando que a pessoa poderá ficar exposta a críticas precoces. "[Quero] dar muita autonomia para o nosso ministro, a nossa ministra da Economia, porque, do jeito que as coisas estão hoje, sinceramente, se eu falo qualquer nome aqui agora, hoje já começa o processo de destruição de reputação dessa pessoa", declarou. Presente no evento, a ex-presidente da Caixa na gestão Jair Bolsonaro, Daniella Marques, é uma das opções que contam com a simpatia de Flávio, mas nem o presidenciável nem a administradora comentam os rumores de que ela poderia ser indicada para o ministério. Ele saudou a aliada durante o discurso, chamou-a ao palco e disse que ela reúne as características necessárias para integrar sua eventual equipe. Marques também foi auxiliar de Paulo Guedes no Ministério da Economia, no governo do pai do senador. Ação contra a fome Antes do evento do Grupo Voto, Flávio Bolsonaro visitou a sede do Pacto contra a Fome e recebeu um documento com propostas do movimento para os pré-candidatos à Presidência. A entidade está propondo um esforço suprapartidário para combater o problema e entrou em contato com outros presidenciáveis, que também foram convidados a dialogar sobre o avanço na segurança alimentar no país. Flávio, que estava acompanhado de Fernanda Bolsonaro e Daniella Marques durante a agenda, disse que vai incluir em seu plano de governo o compromisso público de fortalecer iniciativas contra o desperdício de comida. "Ouvimos hoje a excelente proposta do Pacto Contra a Fome de modernizar e ampliar bancos de alimentos nos Ceasas de todo o país para acabar com o desperdício de alimentos nesses locais. Hoje, alimentos que poderiam ser transformados em 4 milhões de refeições diárias vão para o lixo, só nos Ceasas", afirmou o senador, em nota distribuída por sua assessoria de imprensa.