O baiano Nizan Guanaes tem mais de 30 prêmios conquistados no Festival Internacional de Criatividade de Cannes. Mas, depois de vencer cada um deles, já projeta o próximo desafio. “Eu nunca fui feliz com o que já conquistei”, confessa o publicitário, no quinto episódio da série Conversas Vulneráveis, distribuído pela CBN e pelo Valor Econômico. “Tenho uma deficiência da qual eu nunca me livrarei: toda vez que eu começo um trabalho, acredito que não vou conseguir. Mas, para não ficar pensando demais, faço. Sempre trabalhei muito”. Para Nizan, que em maio completou 68 anos, a busca por viver o presente é contínua. “Precisei me reinventar, me cuidar —com análise—, com corrida. Fiz três maratonas em dois anos”. A conversa com o publicitário Claudio Loureiro, que criou e conduz a série de entrevistas, está disponível em vídeo e áudio. Assim nos episódios anteriores, protagonizados por Miguel Krigsner, Horacio Lafer Piva, Isay Weinfeld e Gero Fasano, a proposta é ouvir figuras de referência em suas áreas sobre temas que tocam em suas próprias fragilidades. No convívio com um avô comunista, tios militares, o pai, ascensorista do Elevador Lacerda que se tornou médico, e a mãe, uma das primeiras mulheres a se formar em engenharia na Bahia, Nizan cresceu no Pelourinho, em Salvador, nas proximidades de onde havia morado o poeta Castro Alves, diante de igrejas barrocas e no contato com o catolicismo e o candomblé. Ao longo do episódio, o publicitário resgata essa trajetória e detalha sua dificuldade para relaxar em meio ao trabalho. Também menciona os caminhos que encontrou para reconstruir a si mesmo ao longo dos anos, apoiados por dois hábitos: rezar, todas as manhãs e escrever uma análise do dia em um diário, todas as noites. “Além disso, gosto de pensar no meu obituário, é um exercício de projetar o que será contado sobre minha vida. É uma maneira de seguir construindo a melhor versão de mim”.