A República Democrática do Congo (RDC, ex- Zaire) informou nesta segunda-feira (8) que o número de mortes confirmadas por ebola chegou a 101 e que a presença de grupos armados continua dificultando os esforços de combate à doença na província mais afetada pelo surto. O surto da cepa Bundibugyo do ebola foi anunciado em 15 de maio, embora autoridades tenham reconhecido posteriormente que a doença circulou durante semanas sem ser detectada, deixando os serviços de saúde em desvantagem e dificultando o controle da disseminação. A epidemia se espalha por três províncias historicamente marcadas por conflitos armados: Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em seu relatório mais recente, divulgado nesta segunda-feira, o governo congolês informou que foram registrados 35 novos casos confirmados nas últimas 24 horas, incluindo 10 mortes. Com isso, o total de casos confirmados chegou a 550, enquanto o número de óbitos confirmados atingiu 101. Os casos foram identificados em 17 zonas de saúde de Ituri, além de sete zonas de saúde em Kivu do Norte e uma em Kivu do Sul. A desconfiança da população e a resistência às medidas sanitárias têm prejudicado a resposta ao surto. Autoridades registraram ataques contra equipes encarregadas de enterros e contra centros de tratamento. O incidente mais recente ocorreu no domingo, segundo uma fonte familiarizada com a resposta governamental. Uma equipe funerária foi atacada no cemitério de Nyamurongo, em Bunia, deixando duas pessoas gravemente feridas e causando danos a dois veículos. O relatório do governo afirma que a presença de grupos armados nos territórios de Djugu, Irumu e Mambasa, todos em Ituri, continua “limitando o acesso humanitário em diversas zonas de saúde afetadas ou sob risco”. O documento acrescenta que Bunia, capital da província de Ituri, permanece relativamente calma. Mais cedo nesta segunda-feira, o Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) havia informado que o número de casos confirmados de ebola no Congo havia subido para 544. A agência africana, até então, estimava o total de mortes confirmadas em 88. Um trabalhador ugandês recolhe uma luva de borracha do varal durante uma visita do Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, à Unidade de Isolamento do Hospital Nacional de Referência de Mulago, enquanto as agências de ajuda humanitária intensificam os esforços para conter um novo surto de Ebola causado pelo vírus Bundibugyo, no subúrbio de Mulago, em Kampala, Uganda, em 8 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Abubaker Lubowa