Um caso de ebola foi confirmado em Kivu do Sul, província do leste da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) localizada a centenas de quilômetros do epicentro do surto, informou nesta quinta-feira (21) a aliança rebelde que controla a região. O caso, registrado em uma área rural próxima à capital provincial Bukavu, representa uma expansão do surto que, segundo especialistas, circulava há cerca de dois meses na província de Ituri, antes de ser detectado na semana passada. A Aliança Fleuve Congo, que inclui os rebeldes do M23 apoiados por Ruanda e que tomaram partes do leste da RDC no ano passado, afirmou em comunicado que o paciente, de 28 anos, morreu e foi enterrado de forma segura. Segundo o grupo, a pessoa vinha da cidade de Kisangani, no norte do país, na província de Tshopo, mas não foram divulgados detalhes sobre seus deslocamentos recentes. No fim de semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional para o surto da variante Bundibugyo do vírus, para a qual não existe vacina. Segundo a OMS, o surto já foi associado a 139 mortes e havia 600 casos suspeitos nas províncias de Ituri e Kivu do Norte até quarta-feira. Dois casos também foram confirmados na vizinha Uganda. Rebeldes do M23 prometem cooperação O porta-voz da área de saúde de Kivu do Sul, Claude Bahizire, disse à Reuters mais cedo nesta quinta-feira que dois casos suspeitos, incluindo o paciente que morreu, haviam sido detectados na província. O outro paciente estava isolado aguardando resultados de exames. Na semana passada, um caso de ebola já havia sido confirmado em Goma, capital da província vizinha de Kivu do Norte, controlada pelo M23. O M23 afirmou nesta semana que está comprometido em trabalhar com parceiros internacionais para conter o surto. A resposta à epidemia tem sido dificultada pela presença do vírus em áreas urbanas densamente povoadas e pela violência armada generalizada no leste da RDC. Um surto da variante Zaire do ebola entre 2018 e 2020 na região foi o segundo mais letal já registrado, matando quase 2.300 pessoas. Desta vez, equipes de resposta afirmam não ter nem mesmo suprimentos básicos, situação atribuída por alguns à redução da ajuda externa promovida por grandes doadores internacionais. Um membro das Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) faz guarda em uma rua após retomar o controle de várias localidades nas planícies de Ruzizi, na sequência da retirada dos rebeldes do M23 do território de Uvira, em Sange, província de Kivu do Sul , República Democrática do Congo, em 12 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Victoire Mukenge/Foto de arquivo