Nome em ascensão no time dos policiais políticos, crescente no país desde o surgimento do bolsonarismo, o delegado Felipe Curi teve como uma das marcas de sua gestão à frente da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro uma explosão nas promoções por atos de bravura, chegando a se beneficiar ele próprio quando era secretário.

Nomeado pelo então governador Cláudio Castro (PL) em setembro de 2024, Curi esteve no cargo até março passado, quando se licenciou para concorrer nas próximas eleições pelo PP.

Anunciou que será candidato a deputado federal, mas, nos bastidores da política fluminense, é considerado um curinga, que poderia substituir Douglas Ruas (PL), caso a pré-candidatura do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ) não decole, ou disputar uma cadeira ao Senado no lugar de Castro, condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

O potencial eleitoral de Curi –tido como um dos principais puxadores de votos da direita no Rio de Janeiro– está associado às ações espetaculosas de sua gestão, sobretudo à operação nos complexos da Penha e do Alemão, a mais letal da história, com 122 mortos. Mas a explosão nas concessões de bravuras é apontada por policiais não somente como instrumento de poder e de formação de um grupo de aliados na corporação, mas também como ativo eleitoral.