Não bastassem os dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que, em 11 dias, resultaram em duas operações de busca e apreensão em sua casa, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) ainda pode vir a enfrentar uma ou mais denúncias da Procuradoria-Geral de Justiça do Rio a partir do que vem sendo apurado pelo governador Ricardo Couto. O Valor teve acesso à íntegra do pedido de informações dirigido pelo titular da PGJ, Antonio José Campos Moreira, ao gabinete do governador. Depois de compilar as ocorrências noticiadas desde que Couto assumiu o governo, da exoneração de 2,5 mil “funcionários fantasmas” à rombo estimado de R$ 20 bilhões nas finanças estaduais, Campos Moreira passa a listar as informações e documentos requeridos ao governador. Nesta lista estão a relação dos servidores exonerados, o relatório da auditoria nos contratos ativos do governo estadual com indícios de irregularidades, a relação e contratos suspensos, o relatório de auditoria dos recursos da RioPrevidência e do Cedae investidos do Master e alvos de inquérito conduzido no STF pelo ministro André Mendonça, além dos processos administrativos que tiveram alteração no código de sigilo. Entre os contratos a serem listados se encontram, por exemplo, aquele destinado à verificação, por biometria, dos ingressos do show da cantora colombiana Shakira. Firmado em R$ 15 milhões, o contrato foi renegociado para R$ 3 milhões sem que o fornecedor tenha contestado a revisão de valores. No ofício do procurador-geral, ainda estão todos os documentos produzidos pelo governo sobre os servidores envolvidos nos benefícios concedidos à Refit e que foram alvo da operação “Sem Refino”. Esta operação resultou na primeira busca e apreensão na casa de Castro e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Datado de 20 de maio, o ofício não determina prazo para que as informações sejam prestadas pelo gabinete do governador. Presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto assumiu a cadeira em função da decisão do Supremo Tribunal Federal de pedir vista da posse do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, primeiro da linha sucessória a partir da desincompatibilização de Castro em função de sua pretendida postulação ao Senado. Como chefe do judiciário do fluminense, não há dúvida de que terá interesse em colaborar com as investigações. O governo do Rio, porém, não comenta o ofício que chegou ao gabinete de Couto sob o carimbo de sigiloso.
Ofício da PGJ lista de servidores fantasmas, contratos fraudulentos e benefícios à Refit
Valor teve acesso a pedido de informações feito pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio ao governo do Estado














